| A vila |
O velho ficou pensativo por uns instantes, e depois ordenou que os dois filhos fossem de encontro à dupla que o bilhete citava, sem dar muitos detalhes sobre a história. Disse que procurassem o delegado, que este saberia da localização da vila.
Os dois irmãos partiram, sem entender muito bem, pra vila. Ao chegarem lá, procuraram César, mas esse não se encontrava. Depois, foram atrás de Alessandra, que estava em casa fazendo um bolo. Ao dizerem que eram filhos de Cosme, ela pediu pra que entrassem. Quando estavam sentados no sofá, ela pegou o filho pequeno e pôs no colo de um deles. "Olhem como ele é lindo", disse ela.
Ao terminar de fazer o bolo, ela os perguntou: "quais são seus nomes?". "Sérgio e Murilo", disse um deles. "Hmm, que nomes bonitos. O pai de vocês tem muito bom gosto". Depois de conversarem um pouco, ela perguntou qual era o motivo da visita. "É que o nosso pai está nas últimas, e o Murilo recebeu esses cinco bilhetes de um homem encapuzado, direcionados a ele". Alessandra então pegou os bilhetes e depois os amassou. "Por que fez isso?", indagou Sérgio. "Porque esse cidadão só pode estar querendo nos enlouquecer", disse ela.
Depois de ter contado toda a história, Alessandra disse que era melhor eles irem embora, pois ali eles podiam atrair algum perigo pra ela, que agora tinha um filho e muita responsabilidade. Eles aceitaram ir, e foram pegando o rumo à cidade. Ao chegarem lá, Cosme havia falecido. O laudo médico apontou falência múltipla dos órgãos, mas os doutores acharam algo esquisito no estômago dele. Era uma espécie de tinta preta, que havia impregnado boa parte do órgão. Eles perguntaram aos filhos o que poderia ser aquilo, mas nenhum deles soube responder.
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| O que será a tinta preta no estômago de Cosme? |
Então, passado o trauma, eles foram pegar os cavalos no celeiro e partiram rumo à terra natal. Quando estavam no início da viagem, o homem encapuzado apareceu mais uma vez. "Seu desgraçado, o que quer de nós agora?", perguntou Sérgio. "Quero dizer que vocês estão dentro do clube". "Como?", indagou Murilo, "que tipo de clube você se refere"? "Um clube diferente de tudo que vocês conhecem", disse o homem.
O encapuzado então pediu carona num dos cavalos dos irmãos e deu a direção da sede do clube a eles. Ao chegarem lá, encontraram um grande galpão, e pela janela dava pra ver a presença de algumas pessoas no seu interior. Ao entrarem, o tal homem tirou o capuz, e deu pra ver que era um indivíduo com seus cinquenta e poucos anos. Os irmãos então perguntaram quem eram aquelas pessoas, e o que faziam ali. Todos ficaram em silêncio, até que um rapaz veio em direção a eles. Era César, que havia sido recrutado um dia antes. Ele disse que ia ser o guia deles no clube.
César chamou eles pra um canto da parede e começou dizendo que a primeira coisa que eles deveriam saber era que o grupo era secreto. Depois, que eles deveriam ter muito cuidado com os integrantes dele. Uma piada, por exemplo, não caberia naquele ambiente. Era uma questão de trabalho. "Vocês também devem saber que ninguém pode sair do grupo", disse um dos membros que ouvia na cochia, "se quiserem sair, considerem-se mortos".
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| A cama beliche dos irmãos |
Parecia um quarto muito agradável, de frente pro mar, e com uma cama beliche. "A única coisa ruim aqui é uma goteira, mas o balde já está ali posicionado", disse César. Ao se deitarem, Nelson chegou e desligou as luzes, desejando boa noite aos dois.


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