Roberto, quando leu as diretrizes, não conseguiu acreditar que era realmente para aquilo ser feito. Na dúvida, chamou um assistente, que confirmou que seu relato batia com o que estava escrito. Então, ele se levantou, tomou um copo d'águae partiu para o centro do galpão.
- Esqueçam os cartões - ordenou - todos formarão uma só equipe na missão de hoje, e inclusive eu irei participar.
Com todos apreensivos quanto à missão, Geraldo resolveu perguntar:
- É para assassinar alguém?
Roberto disse que não.
- Então, o que pode ser? - perguntou Bruno.
- Nós vamos ter que incendiar todos os galpões da Skyline na cidade. E o pior é que o único grupo que separaram para essa missão foi o nosso. Os outros estão cumprindo as diretrizes comuns.
- Meu Deus! - exclamou César - Hoje vai ser nossa "prova de fogo".
Quando deu duas horas da tarde, passada a digestão da noite, puseram em ação o plano. Havia, ao todo, 50 galpões da Skyline em São Paulo no ano de 1964.
O grupo se dividiu em quatro e saíram queimando cada galpão da concorrente. Ao terminarem, foram, às oito da noite, de volta ao galpão. A segunda parte da missão é ficar no compartimento mais alto do galpão, com suas espingardas, aguardando grupos da Skyline que viessem se vingar. Aos poucos, eles foram aparecendo, e, consequentemente, atingidos pelos membros da Fênix.
Pouquíssimos conseguiam adentrar no galpão e, os que fizessem isso, eram igualmente atingidos por membros do grupo que ficaram em guarda no interior da frente da porta.
Quando já se nascia o sol, a Fênix não havia mandado diretrizes, pois sabia que eles estavam ainda na missão. Então, resolveram alternar. Os atiradores de cima dormiriam metade por três horas, enquanto a outra metade ficava de guarda. E assim, no revezamento, liquidaram todos os que vieram em busca do grupo.
Em dois meses, tendo o episódio de São Paulo misturado com várias dívidas, fizeram com que a Skyline saísse de vários países, dentre eles o Brasil, ficando restrito apenas aos Estados Unidos e Canadá. Cinco anos depois, viria a falir totalmente.
Um pensamento solto
Coleção pessoal de crônicas, poesias, etc.
terça-feira, 30 de abril de 2013
segunda-feira, 29 de abril de 2013
A volta de Murilo ao Brasil
No ano de 1956, a Skyline resolveu espalhar seus administradores por países do mundo em que ela tinha pouca representatividade. O Brasil era um desses países. Enquanto nos Estados Unidos e Europa eles eram tão fortes quanto a Fênix, nos países em desenvolvimento eles eram bem fracos. Então, aproveitaram que Murilo falava português nativo e o mandaram pro Brasil. Ele desembarcou junto com seu filho e sua atual mulher no aeroporto de Guarulhos.
Ao chegarem à sede da Skyline em São Paulo, Murilo explicou que não poderia sair do galpão, pois era dado como morto pela Fênix e, se descobrissem que ele estava vivo, seria aplicado a ele a pena de desertor. Então, ele aproveitou que sua patente permitia que ele passasse o dia dentro do galpão e assim o fez. Porém, o seu filho desceu de patente devido a uma briga que teve nos últimos dias em Nova York. Ele agora tinha que passar um ano fazendo diretamente as missões para então poder voltar à sua antiga função.
Numa das missões, que consistia em esperar o trem na parada e fotografar um senhor careca que de lá iria sair, Geraldo encontrou Roberto e Bruno. Ele já o conhecia pois, dois anos antes, Murilo mandou que um representante da Skyline no Brasil tirasse fotos da família, dizendo-se um fotógrafo transeunte. Uma cópia ele deu para eles e outra levou para Nova York.
Sem querer tirar a atenção da missão, avistou o velho careca. Tirou três fotos, todas fazendo que estava consertando a câmera, a fim de não levantar suspeitas. O trem seguiu viagem e todos deixaram a estação. Quando Geraldo voltou pro galpão, ele relatou que havia se encontrado com o seu primo e um amigo dele.
- Não faça contato de nenhuma natureza com eles. - disse Murilo - A vida do seu pai pode estar em perigo se eles desconfiarem de algo.
- Tudo bem, pai, eu não vou me aproximar deles.
E, com esse aviso, Geraldo foi dormir. Ele então sonhou que estava numa praia paradisíaca, cercado de mulheres e tomando refresco de limão. Até que chegava um homem de barba e atirava contra ele. De repente, todo o céu se transformava em cinzas e ele se encontrava no meio de um cemitério. Quando acordou, foi pro quarto do seu pai, para enfim conseguir se acalmar.
- Bobagem, Geraldo. Trate de dormir. Amanhã, lembre-se que comer demais antes do sono faz você ter pesadelos. - disse Murilo
No outro dia, Bruno foi encarregado de uma missão bem difícil. No dia anterior, eles estavam à paisana, devido ao Feriado Mundial da Fênix. Nos dias comuns, Bruno faz as missões sem Roberto, que é chefe de galpão. A missão de Bruno consistia em adentrar numa suposta base nuclear soviética que estava funcionando numa cidade do norte do estado de São Paulo. Na equipe, tinha mais nove homens.
Ao chegarem na tal base, metade da equipe, incluindo ele, foram destruir a entrada principal. Depois de acionarem os explosivos plantados por lá, vários russos correram pro lado de fora da central. Após uma intensa troca de tiros, os da Corporação venceram, com apenas duas baixas. Conseguiram então adentrar e alterar todas as senhas, além de cobrir de explosivos todo o local. Ao terminarem, saíram e se distanciaram um quilômetro da base. Acionaram os explosivos e em segundos tudo da base tinha virado pó.
Ao chegarem à sede da Skyline em São Paulo, Murilo explicou que não poderia sair do galpão, pois era dado como morto pela Fênix e, se descobrissem que ele estava vivo, seria aplicado a ele a pena de desertor. Então, ele aproveitou que sua patente permitia que ele passasse o dia dentro do galpão e assim o fez. Porém, o seu filho desceu de patente devido a uma briga que teve nos últimos dias em Nova York. Ele agora tinha que passar um ano fazendo diretamente as missões para então poder voltar à sua antiga função.
Numa das missões, que consistia em esperar o trem na parada e fotografar um senhor careca que de lá iria sair, Geraldo encontrou Roberto e Bruno. Ele já o conhecia pois, dois anos antes, Murilo mandou que um representante da Skyline no Brasil tirasse fotos da família, dizendo-se um fotógrafo transeunte. Uma cópia ele deu para eles e outra levou para Nova York.
Sem querer tirar a atenção da missão, avistou o velho careca. Tirou três fotos, todas fazendo que estava consertando a câmera, a fim de não levantar suspeitas. O trem seguiu viagem e todos deixaram a estação. Quando Geraldo voltou pro galpão, ele relatou que havia se encontrado com o seu primo e um amigo dele.
- Não faça contato de nenhuma natureza com eles. - disse Murilo - A vida do seu pai pode estar em perigo se eles desconfiarem de algo.
- Tudo bem, pai, eu não vou me aproximar deles.
E, com esse aviso, Geraldo foi dormir. Ele então sonhou que estava numa praia paradisíaca, cercado de mulheres e tomando refresco de limão. Até que chegava um homem de barba e atirava contra ele. De repente, todo o céu se transformava em cinzas e ele se encontrava no meio de um cemitério. Quando acordou, foi pro quarto do seu pai, para enfim conseguir se acalmar.
- Bobagem, Geraldo. Trate de dormir. Amanhã, lembre-se que comer demais antes do sono faz você ter pesadelos. - disse Murilo
No outro dia, Bruno foi encarregado de uma missão bem difícil. No dia anterior, eles estavam à paisana, devido ao Feriado Mundial da Fênix. Nos dias comuns, Bruno faz as missões sem Roberto, que é chefe de galpão. A missão de Bruno consistia em adentrar numa suposta base nuclear soviética que estava funcionando numa cidade do norte do estado de São Paulo. Na equipe, tinha mais nove homens.
Ao chegarem na tal base, metade da equipe, incluindo ele, foram destruir a entrada principal. Depois de acionarem os explosivos plantados por lá, vários russos correram pro lado de fora da central. Após uma intensa troca de tiros, os da Corporação venceram, com apenas duas baixas. Conseguiram então adentrar e alterar todas as senhas, além de cobrir de explosivos todo o local. Ao terminarem, saíram e se distanciaram um quilômetro da base. Acionaram os explosivos e em segundos tudo da base tinha virado pó.
domingo, 28 de abril de 2013
Por onde andará César?
Dentre os mortos/desertores estavam César. Mas, como poderia isso, se ele gostava tanto da Corporação? Desertar, ele nunca faria. Agora, poderia ser que estivesse morto. De qualquer forma, Nelson conseguiu hangarear fundos pra irem atrás do seu amigo César. Depois de cinco dias de buscas, os homens chegaram correndo ao galpão.
- César está vivo! Ele está sendo mantido prisioneiro junto com vários da Fênix.
Então, todos os residentes do galpão e mais alguns aliados de outros galpões foram atacar a tal tribo. Depois de uma batalha quase incessante, com baixa de mais de 1/3 dos homens, eles finalmente conseguiram libertar os prisioneiros. César deu um longo abraço em Nelson, e todos partiram pro galpão.
- Foi pra Nova York? - indagou César sobre Murilo. - Como assim?
- Pois é, ele tinha tido uma longa conversa comigo sobre a Fênix, até que, um dia, voltando de sua lua-de-mel, ele pegou um avião e foi pra Nova York. Lá, segundo os relatos oficiais, foi morto junto com a mulher e o filho.
- Meu Deus, que atrocidade.
Então, César foi ver o pequeno Roberto. Ele disse pra mulher que assumiria a paternidade da criança, cedendo do bom e do melhor a ela.
- Obrigado, César. - disse a moça.
- - - - -
Nos Estados Unidos, a Skyline só vinha crescendo. Agora estava em todos os estados americanos. Com equipamentos bem mais modernos do que a Fênix, ela recrutava pessoas em tempo recorde. Passados cinco anos, já começou a se expandir pra outros países, sendo um deles o Brasil.
Na década de 1950, as duas corporações já estavam em tamanhos iguais. Roberto, então com seus vinte e poucos anos, assumiu como chefe de galpão. Geraldo, dois anos depois, em Nova York, assumiu como diretor da cidade (pois, na Skyline, a gradação é diferente da Fênix).
E foi aí que as duas corporações assinaram um tratado de paz, pois, nos anos anteriores, durante todas as tentativas de contato, a Skyline era desprezada pela Fênix. Somente agora, tendo tamanhos semelhantes, que ela aceitou um acordo.
No Brasil, Nelson já havia falecido, mas César ainda estava vivo, bem como a mãe do Roberto. Eles queriam que o filho estudasse medicina, mas ele mesmo não queria outra coisa na vida a não ser crescer na Corporação. Depois de tanto dizer isso, a mãe e César aceitaram que ele ficasse somente na Fênix.
Já Geraldo, cursava Engenharia numa das melhores universidade de Nova York, e tinha grandes ideias pro desenvolvimento da Skyline, as quais um dia sonhava apresentar pro presidente. Sabia falar quatro línguas: português, inglês, italiano e francês; e ainda tocava piano muito bem.
Roberto tinha, no Brasil, um grande amigo, de nome Bruno. Eles conversavam muito sobre diversos asssuntos. Só não podiam conversar sobre futebol, pois um torcia São Paulo e o outro Corínthians. Bruno era um rapaz muito bondoso, inteligentíssimo e sensível também. Roberto era mais explosivo, insensível algumas vezes e mulherengo.
Depois de muita insistência de Beto, Bruno entrou na Corporação, começando a fazer as missões diárias. No início, se saiu até bem, mas depois ele sentiu a pressão do grupo. Quando ia pedir pra sair, Beto veio em sua direção e deu vários conselhos a ele, o que fizeram ele resolver ficar.
- César está vivo! Ele está sendo mantido prisioneiro junto com vários da Fênix.
Então, todos os residentes do galpão e mais alguns aliados de outros galpões foram atacar a tal tribo. Depois de uma batalha quase incessante, com baixa de mais de 1/3 dos homens, eles finalmente conseguiram libertar os prisioneiros. César deu um longo abraço em Nelson, e todos partiram pro galpão.
- Foi pra Nova York? - indagou César sobre Murilo. - Como assim?
- Pois é, ele tinha tido uma longa conversa comigo sobre a Fênix, até que, um dia, voltando de sua lua-de-mel, ele pegou um avião e foi pra Nova York. Lá, segundo os relatos oficiais, foi morto junto com a mulher e o filho.
- Meu Deus, que atrocidade.
Então, César foi ver o pequeno Roberto. Ele disse pra mulher que assumiria a paternidade da criança, cedendo do bom e do melhor a ela.
- Obrigado, César. - disse a moça.
- - - - -
Nos Estados Unidos, a Skyline só vinha crescendo. Agora estava em todos os estados americanos. Com equipamentos bem mais modernos do que a Fênix, ela recrutava pessoas em tempo recorde. Passados cinco anos, já começou a se expandir pra outros países, sendo um deles o Brasil.
Na década de 1950, as duas corporações já estavam em tamanhos iguais. Roberto, então com seus vinte e poucos anos, assumiu como chefe de galpão. Geraldo, dois anos depois, em Nova York, assumiu como diretor da cidade (pois, na Skyline, a gradação é diferente da Fênix).
E foi aí que as duas corporações assinaram um tratado de paz, pois, nos anos anteriores, durante todas as tentativas de contato, a Skyline era desprezada pela Fênix. Somente agora, tendo tamanhos semelhantes, que ela aceitou um acordo.
No Brasil, Nelson já havia falecido, mas César ainda estava vivo, bem como a mãe do Roberto. Eles queriam que o filho estudasse medicina, mas ele mesmo não queria outra coisa na vida a não ser crescer na Corporação. Depois de tanto dizer isso, a mãe e César aceitaram que ele ficasse somente na Fênix.
Já Geraldo, cursava Engenharia numa das melhores universidade de Nova York, e tinha grandes ideias pro desenvolvimento da Skyline, as quais um dia sonhava apresentar pro presidente. Sabia falar quatro línguas: português, inglês, italiano e francês; e ainda tocava piano muito bem.
Roberto tinha, no Brasil, um grande amigo, de nome Bruno. Eles conversavam muito sobre diversos asssuntos. Só não podiam conversar sobre futebol, pois um torcia São Paulo e o outro Corínthians. Bruno era um rapaz muito bondoso, inteligentíssimo e sensível também. Roberto era mais explosivo, insensível algumas vezes e mulherengo.
Depois de muita insistência de Beto, Bruno entrou na Corporação, começando a fazer as missões diárias. No início, se saiu até bem, mas depois ele sentiu a pressão do grupo. Quando ia pedir pra sair, Beto veio em sua direção e deu vários conselhos a ele, o que fizeram ele resolver ficar.
O nascimento de Roberto
Passaram-se cinco meses desde o incidente, quando a mulher que tinha tido relações com Sérgio dissesse a Murilo que estava grávida dele.
- Então quer dizer que eu vou ganhar em sobrinho? Que ótima notícia!
Quando o grupo foi propor um nome, Roberto ganhou. E assim, no dia 5 de outubro, nasceu o pequeno filho de Sérgio.
- Mas como ele é lindo! - disse Nelson - Quem me dera ter um filho assim.
A moça, risonha, acolheu o menino ainda ensanguentado nos braços, beijando-o. Depois, foram do hospital pro galpão, cumprir os afazeres diários.
Murilo começou a se encantar por uma novata. Ela chamava-se Flávia e tinha lindos lábios. Ele, então, depois de alguns dias de paquera, a pediu em namoro. No primeiro ano, antes mesmo do casamento, eles tiveram um filho, de nome Geraldo. Depois, o pai da moça exigiu o casamento, e assim eles o fizeram.
Quando na ocasião do casamento, veio um diretor da Fênix falar com Murilo e Flávia. Ele explicou que, quando membros da organização se casam, eles têm direito a um mês de férias e, quando voltarem, conhecerem as instalações da Fênix no Brasil.
Eles foram passar a lua-de-mel em Paris, e visitaram muitas outras cidades do interior da França. Ao chegarem de viagem, aceitaram o convite de conhecer a sede brasileira da Fênix. Ao lá chegarem, um acompanhante os levou pros lugares mais importantes da corporação, bem como a central de aviões e a biblioteca imensa, só de escritos de brasileiros sobre a Fênix.
O casal agradeceu a companhia e disse que queria passar um tempo a sós por lá. Então, foram até o galpão dos aviões e viram um com a bandeira americana pintada. Eles disseram aos pilotos que iriam até a sede mundial da Fênix, nos Estados Unidos. A dupla pediu as credenciais, mas eles disseram que tinham perdido. A boa aparência deles, juntando ao inglês quase perfeito de Murilo, os comandantes acharam que eles estavam dizendo a verdade, apenas tinham passado por algum contratempo e perdido as credenciais. Ele jogou uma conversa tão convincente que eles realmente acreditaram. A decolagem ia acontecer em dois minutos, e os pilotos não teriam tempo de discutir com o casal. Então, partiram, com destino a Nova York.
Chegando lá, Murilo sabia que estava na sede mundial. Os pilotos então foram fazer algumas perguntas quando viram os dois fugindo. Ao chegarem na rua, roubaram um carro e foram dirigindo até despistarem os homens e chegarem num hotel. Lá, disse à moça que eles queriam um quarto, e ela deu a chave a eles. Pouco tempo depois, quando os três já estavam dormindo, os agentes chegaram.
Foram até o quarto onde eles três estavam e atiraram nos dois, matando a mulher. Ao verem o bebê no colo dela, deixaram-no viver e fizeram de conta que nem tinham visto, pois não tinham coragem de matar um ser tão inofensivo. Então, a moça do hotel, quando chegou no quarto, deu um berro apavorante. Murilo, que estava se fingindo de morto, tinha levado apenas um tiro no braço e, com tremenda habilidade, saiu do hotel pela janela.
E aí, na cidade de Nova York, ele decidiu desertar. Passou a trabalhar no almoxarifado de algumas obras, depois como mecânico em oficinas, até que ele ficou sabendo da existência de outro grupo, com sede principal também nessa cidade, e que estava em rivalidade com a Fênix. O grupo chamava-se Skyline. Murilo, então, se inscreveu na corporação, e aceitou realizar trabalhos pra eles. E foi assim que começou outra aventura.
- Então quer dizer que eu vou ganhar em sobrinho? Que ótima notícia!
Quando o grupo foi propor um nome, Roberto ganhou. E assim, no dia 5 de outubro, nasceu o pequeno filho de Sérgio.
- Mas como ele é lindo! - disse Nelson - Quem me dera ter um filho assim.
A moça, risonha, acolheu o menino ainda ensanguentado nos braços, beijando-o. Depois, foram do hospital pro galpão, cumprir os afazeres diários.
Murilo começou a se encantar por uma novata. Ela chamava-se Flávia e tinha lindos lábios. Ele, então, depois de alguns dias de paquera, a pediu em namoro. No primeiro ano, antes mesmo do casamento, eles tiveram um filho, de nome Geraldo. Depois, o pai da moça exigiu o casamento, e assim eles o fizeram.
Quando na ocasião do casamento, veio um diretor da Fênix falar com Murilo e Flávia. Ele explicou que, quando membros da organização se casam, eles têm direito a um mês de férias e, quando voltarem, conhecerem as instalações da Fênix no Brasil.
Eles foram passar a lua-de-mel em Paris, e visitaram muitas outras cidades do interior da França. Ao chegarem de viagem, aceitaram o convite de conhecer a sede brasileira da Fênix. Ao lá chegarem, um acompanhante os levou pros lugares mais importantes da corporação, bem como a central de aviões e a biblioteca imensa, só de escritos de brasileiros sobre a Fênix.
O casal agradeceu a companhia e disse que queria passar um tempo a sós por lá. Então, foram até o galpão dos aviões e viram um com a bandeira americana pintada. Eles disseram aos pilotos que iriam até a sede mundial da Fênix, nos Estados Unidos. A dupla pediu as credenciais, mas eles disseram que tinham perdido. A boa aparência deles, juntando ao inglês quase perfeito de Murilo, os comandantes acharam que eles estavam dizendo a verdade, apenas tinham passado por algum contratempo e perdido as credenciais. Ele jogou uma conversa tão convincente que eles realmente acreditaram. A decolagem ia acontecer em dois minutos, e os pilotos não teriam tempo de discutir com o casal. Então, partiram, com destino a Nova York.
Chegando lá, Murilo sabia que estava na sede mundial. Os pilotos então foram fazer algumas perguntas quando viram os dois fugindo. Ao chegarem na rua, roubaram um carro e foram dirigindo até despistarem os homens e chegarem num hotel. Lá, disse à moça que eles queriam um quarto, e ela deu a chave a eles. Pouco tempo depois, quando os três já estavam dormindo, os agentes chegaram.
Foram até o quarto onde eles três estavam e atiraram nos dois, matando a mulher. Ao verem o bebê no colo dela, deixaram-no viver e fizeram de conta que nem tinham visto, pois não tinham coragem de matar um ser tão inofensivo. Então, a moça do hotel, quando chegou no quarto, deu um berro apavorante. Murilo, que estava se fingindo de morto, tinha levado apenas um tiro no braço e, com tremenda habilidade, saiu do hotel pela janela.
E aí, na cidade de Nova York, ele decidiu desertar. Passou a trabalhar no almoxarifado de algumas obras, depois como mecânico em oficinas, até que ele ficou sabendo da existência de outro grupo, com sede principal também nessa cidade, e que estava em rivalidade com a Fênix. O grupo chamava-se Skyline. Murilo, então, se inscreveu na corporação, e aceitou realizar trabalhos pra eles. E foi assim que começou outra aventura.
O ataque dos escravos
Era uma sexta-feira 13 quando o grupo acordou disposto. Já havia passado um mês desde o incidente do Espírito Santo. O grupo já estava restabelecido, e agora Murilo era tutor de uma série de novatos, explicando como funcionava a Fênix e outras questões. Foi aí que, quando duas das equipes já tinham saído, que uma quantidade gigantesca de escravos vinha correndo rumo ao galpão.
- Meu Deus! - disse Nelson - Eu nunca vi tanto homem junto. Vamos abandonar esse galpão e nos dispersar pelos arredores, matando aos poucos os escravos.
E assim foi feito. Pouco a pouco, um membro do grupo achava um escravo na mata e o matava. Pela noite, já haviam quase acabado com eles. As equipes que chegaram das missões, das quais uma incluía Murilo, perceberam que algo de errado estava acontecendo. Até que Nelson apareceu.
- Rapaz, o que houve? - indagou Murilo.
- Os escravos vieram se vingar do episódio do ouro. Nós então nos disperçamos pela mata e agora devem estar voltando os que foram.
Mas o problema é que não voltou mais ninguém. Uma parte tinha morrido e a outra aproveitou a oportunidade pra desertar. Então, no dia seguinte, Nelson fez uma rara carta de recrutamento, que só é feita quando há muitas baixas e que os olheiros já não dariam conta de repor tanto pessoal em tão pouco tempo. Então, ele a enviou pra ordem regional da Fênix.
Um diretor veio visitar o galpão, pra ter uma conversa com Nelson. Ao esclarecer alguns pontos, o diretor concordou que eles não podiam cumprir as diretrizes diárias com tão poucos homens. Ele disse que uma parte seria mandada ainda à noite daquele dia e que o resto chegaria de manhã.
- Diretor, você podia me fazer um favor? - perguntou Nelson
- Depende de qual for - disse o diretor, franzindo a testa.
- Eu gostaria de ter o tão famoso Livro da Corporação Fênix
O diretor riu um pouco e depois disse:
- Esse livro eu passei cinco anos como diretor pra ter acesso. Ele contém informações muito secretas e não é pra qualquer um ter acesso a ele.
- Tudo bem, eu compreendo - disse Nelson
Após se despedirem, Nelson e Murilo foram organizando o galpão.
- Como você soube do livro? - perguntou Murilo
- Ah, o seu Horácio um dia me contou que havia um livro sobre a Corporação
- O que tem escrito nele?
- Segundo Horácio, uma vez ele teve acesso por uma hora ao livro, quando trabalhava de bibliotecário na sede nacional da fênix. Ele disse que, em uma parte, tem toda a história da Corporação. Depois, tem instruções em geral, de como agir em circunstâncias extremas, entre outras coisas. Tem dois capítulos totalmente mágicos, com escritos dos alquimistas de várias épocas. Mas o Horácio disse que o que tentou fazer não deu certo, mesmo seguindo as instruções.
- Devem ser só lendas - disse Murilo - eu sou muito cético quanto a essas coisas de magia
- Pois bem, tem mais trinta e poucos capítulos. O Horácio disse que não conseguiu ler todo, pois um oficial chegou e ele teve que guardar o tal livro.
- Nossa, que história. - disse Murilo
- Meu Deus! - disse Nelson - Eu nunca vi tanto homem junto. Vamos abandonar esse galpão e nos dispersar pelos arredores, matando aos poucos os escravos.
E assim foi feito. Pouco a pouco, um membro do grupo achava um escravo na mata e o matava. Pela noite, já haviam quase acabado com eles. As equipes que chegaram das missões, das quais uma incluía Murilo, perceberam que algo de errado estava acontecendo. Até que Nelson apareceu.
- Rapaz, o que houve? - indagou Murilo.
- Os escravos vieram se vingar do episódio do ouro. Nós então nos disperçamos pela mata e agora devem estar voltando os que foram.
Mas o problema é que não voltou mais ninguém. Uma parte tinha morrido e a outra aproveitou a oportunidade pra desertar. Então, no dia seguinte, Nelson fez uma rara carta de recrutamento, que só é feita quando há muitas baixas e que os olheiros já não dariam conta de repor tanto pessoal em tão pouco tempo. Então, ele a enviou pra ordem regional da Fênix.
Um diretor veio visitar o galpão, pra ter uma conversa com Nelson. Ao esclarecer alguns pontos, o diretor concordou que eles não podiam cumprir as diretrizes diárias com tão poucos homens. Ele disse que uma parte seria mandada ainda à noite daquele dia e que o resto chegaria de manhã.
- Diretor, você podia me fazer um favor? - perguntou Nelson
- Depende de qual for - disse o diretor, franzindo a testa.
- Eu gostaria de ter o tão famoso Livro da Corporação Fênix
O diretor riu um pouco e depois disse:
- Esse livro eu passei cinco anos como diretor pra ter acesso. Ele contém informações muito secretas e não é pra qualquer um ter acesso a ele.
- Tudo bem, eu compreendo - disse Nelson
Após se despedirem, Nelson e Murilo foram organizando o galpão.
- Como você soube do livro? - perguntou Murilo
- Ah, o seu Horácio um dia me contou que havia um livro sobre a Corporação
- O que tem escrito nele?
- Segundo Horácio, uma vez ele teve acesso por uma hora ao livro, quando trabalhava de bibliotecário na sede nacional da fênix. Ele disse que, em uma parte, tem toda a história da Corporação. Depois, tem instruções em geral, de como agir em circunstâncias extremas, entre outras coisas. Tem dois capítulos totalmente mágicos, com escritos dos alquimistas de várias épocas. Mas o Horácio disse que o que tentou fazer não deu certo, mesmo seguindo as instruções.
- Devem ser só lendas - disse Murilo - eu sou muito cético quanto a essas coisas de magia
- Pois bem, tem mais trinta e poucos capítulos. O Horácio disse que não conseguiu ler todo, pois um oficial chegou e ele teve que guardar o tal livro.
- Nossa, que história. - disse Murilo
A visita do diretor e a quinta missão
Não eram nem oito horas quando um dos diretores da Fênix no Brasil chegou pra inspecionar o grupo.
- Parece que esse grupo está tendo muitos contratempos. Primeiro, se mudaram de localização sem comunicar à Ordem. Mas só por isso, tudo bem, pois os responsáveis já foram desligados da equipe. Mas, um ataque de pistoleiros ontem? Vocês não acham isso incomum?
- À primeira vista, sim. - disse Nelson - Mas você tem que ver também que eles nos seguiram até aqui.
- Ah, é o mesmo grupo que foi a causa de vocês saírem de lá?
- Sim, suspeitamos que eles nos seguiram de trem.
- Hmm, sendo assim, tudo bem. Eu deixarei vocês pulares a ordem de ontem, que não fizeram pra fazer a de anteontem, e a partir de hoje vocês fazem a do dia, seguindo as diretrizes da Ordem.
- De acordo. - disse Nelson.
Ao sair, o diretor deu um último recado ao grupo: "evitem sair dos trilhos. Quanto mais um grupo faz isso, mais dor de cabeça ele dá pros seus superiores".
O grupo, então, foi tomar café-da-manhã e depois tiraram os cartões. Na missão de hoje, eles se dividiriam em quatro equipes e as de César e Murilo iam pras margens do rio Tietê, enquanto que a de Sérgio ia pra fronteira do estado com o Espírito Santo, e iriam passar três dias nessa viagem.
A equipe de César foi em direção ao rio pra procurar, nas margens dele, ouro que havia visto sendo enterrado por um escravo. Ao cavarem, rapidamente viram a grande reserva de ouro.
- Meu Deus - disse César - Esse homem enterrou quase uma mina por aqui.
Foi quando observaram a chegada de um negro, com ouro nas costas. Ao perceber a presença deles, jogou a saca no chão e puxou o revólver.
- Esse é o local onde eu guardei, durante trinta anos, uma pequena quantia do que eu tirava em aluviais. Seria bom que vocês deixassem ele aí, senão, vão sofrer as consequências.
Um grande riso dominou a todos do grupo, enquanto o velho fazia uma cara de poucos amigos.
- Meu senhor, desculpe, mas nós somos cinco contra um.
- Isso é o que vocês pensam - disse o homem - Se violarem o meu ouro, vários escravos irão atrás de vocês.
- Que conversa mais esquisita - disse Murilo - Abaixe essa arma.
O negro não abaixou.
- Abaixe esse arma agora! - tornou Murilo a dizer.
Quando já iam sacar as armas, o negro pôs a dele no chão. Deixou que roubassem todo o ouro e ainda zombassem da cara dele. Mal sabiam aquela equipe que todos os escravos das redondezas iriam os perseguir, e que a melhor providência teria sido matar oo tal sujeito.
Ao chegarem no galpão com o ouro, o chefe os parabenizou.
A equipe de Sérgio foi rumo ao Espírito Santo e, durante o trajeto, Sérgio se encantou com uma das mulheres do grupo e concebeu um filho, numa das noites em que se amaram. Ao chegarem na fronteira, tinham que procurar por um homem de nome Alberto, pra que então fizessem um interrogatório. Eles descobriram que ele trabalhava na prefeitura, e, por isso, foram em disparada pra lá. Ao concluir o serviço do dia, ele saiu risonho junto com um amigo, que falou: "tchau, Alberto". Eles então o seguiram até chegar em casa, quando partiram pra cima dele e o levaram pra um terreno baldio.
- Diga logo, homem, onde está a moça? - perguntou Sérgio
- Mas que moça?
- Você sabe muito bem. - disse outro rapaz do grupo
- Acho que vocês procuraram o homem errado
- Não é o senhor que é cafetão nas horas vagas?
- Ah, não (risos), quem é cafetão é o Carlos Alberto, que por coincidência trabalha também na prefeitura
- Pois o senhor vai nos levar até a casa dele - disse Sérgio - e aí você ainda vai ganhar algum dinheiro pela informação
O homem aceitou e foi até a casa do tal Carlos Alberto. Lá chegando, pediram pra que Alberto fosse atrás do amigo e o atraísse pra fora da casa. Então, ele tocou a campainha e quem atendeu foi uma mulher. Ele pediu pra entrar e se sentou no sofá por um tempo. Depois, correu em disparada pra porta dos fundos. Como nas janelas tinham cortinas, nada a equipe viu. Mas, ao demorar mais de uma hora pra voltar, eles tiveram que entrar na casa. Bateram na porta e a mulher atendeu.
- Onde está o Alberto.
- Eu não sei - disse ela - mal chegou e correu em disparada pra fora da casa
- Um tal de Carlos Alberto não mora aqui?
- Não, o meu marido chama-se Henrique - disse a mulher
Nessa hora, Alberto já estava com a sua família em direção à Bahia, onde iriam viver e tinham alguns familiares. Não sem antes contatar alguns pistoleiros de que havia uns homens procurando uma das moças com que ele trabalhava. Quando iam saindo do Espírito Santo, o grupo de pistoleiros abordou eles, e acabou com metade do grupo. Sérgio sobreviveu mas estava muito ferido. Ao chegarem em São Paulo, ele já havia morrido.
Foi um dia de muita tristeza pro grupo, pois tiveram que enterrar um grande número de amigos. Murilo estava desconsolado, pois ele e seu irmão eram muito unidos. Ao terminar a cerimônia, eles voltaram pro galpão, de cabeça baixa e com medo do que podia acontecer com eles.
- Parece que esse grupo está tendo muitos contratempos. Primeiro, se mudaram de localização sem comunicar à Ordem. Mas só por isso, tudo bem, pois os responsáveis já foram desligados da equipe. Mas, um ataque de pistoleiros ontem? Vocês não acham isso incomum?
- À primeira vista, sim. - disse Nelson - Mas você tem que ver também que eles nos seguiram até aqui.
- Ah, é o mesmo grupo que foi a causa de vocês saírem de lá?
- Sim, suspeitamos que eles nos seguiram de trem.
- Hmm, sendo assim, tudo bem. Eu deixarei vocês pulares a ordem de ontem, que não fizeram pra fazer a de anteontem, e a partir de hoje vocês fazem a do dia, seguindo as diretrizes da Ordem.
- De acordo. - disse Nelson.
Ao sair, o diretor deu um último recado ao grupo: "evitem sair dos trilhos. Quanto mais um grupo faz isso, mais dor de cabeça ele dá pros seus superiores".
O grupo, então, foi tomar café-da-manhã e depois tiraram os cartões. Na missão de hoje, eles se dividiriam em quatro equipes e as de César e Murilo iam pras margens do rio Tietê, enquanto que a de Sérgio ia pra fronteira do estado com o Espírito Santo, e iriam passar três dias nessa viagem.
A equipe de César foi em direção ao rio pra procurar, nas margens dele, ouro que havia visto sendo enterrado por um escravo. Ao cavarem, rapidamente viram a grande reserva de ouro.
- Meu Deus - disse César - Esse homem enterrou quase uma mina por aqui.
Foi quando observaram a chegada de um negro, com ouro nas costas. Ao perceber a presença deles, jogou a saca no chão e puxou o revólver.
- Esse é o local onde eu guardei, durante trinta anos, uma pequena quantia do que eu tirava em aluviais. Seria bom que vocês deixassem ele aí, senão, vão sofrer as consequências.
Um grande riso dominou a todos do grupo, enquanto o velho fazia uma cara de poucos amigos.
- Meu senhor, desculpe, mas nós somos cinco contra um.
- Isso é o que vocês pensam - disse o homem - Se violarem o meu ouro, vários escravos irão atrás de vocês.
- Que conversa mais esquisita - disse Murilo - Abaixe essa arma.
O negro não abaixou.
- Abaixe esse arma agora! - tornou Murilo a dizer.
Quando já iam sacar as armas, o negro pôs a dele no chão. Deixou que roubassem todo o ouro e ainda zombassem da cara dele. Mal sabiam aquela equipe que todos os escravos das redondezas iriam os perseguir, e que a melhor providência teria sido matar oo tal sujeito.
Ao chegarem no galpão com o ouro, o chefe os parabenizou.
A equipe de Sérgio foi rumo ao Espírito Santo e, durante o trajeto, Sérgio se encantou com uma das mulheres do grupo e concebeu um filho, numa das noites em que se amaram. Ao chegarem na fronteira, tinham que procurar por um homem de nome Alberto, pra que então fizessem um interrogatório. Eles descobriram que ele trabalhava na prefeitura, e, por isso, foram em disparada pra lá. Ao concluir o serviço do dia, ele saiu risonho junto com um amigo, que falou: "tchau, Alberto". Eles então o seguiram até chegar em casa, quando partiram pra cima dele e o levaram pra um terreno baldio.
- Diga logo, homem, onde está a moça? - perguntou Sérgio
- Mas que moça?
- Você sabe muito bem. - disse outro rapaz do grupo
- Acho que vocês procuraram o homem errado
- Não é o senhor que é cafetão nas horas vagas?
- Ah, não (risos), quem é cafetão é o Carlos Alberto, que por coincidência trabalha também na prefeitura
- Pois o senhor vai nos levar até a casa dele - disse Sérgio - e aí você ainda vai ganhar algum dinheiro pela informação
O homem aceitou e foi até a casa do tal Carlos Alberto. Lá chegando, pediram pra que Alberto fosse atrás do amigo e o atraísse pra fora da casa. Então, ele tocou a campainha e quem atendeu foi uma mulher. Ele pediu pra entrar e se sentou no sofá por um tempo. Depois, correu em disparada pra porta dos fundos. Como nas janelas tinham cortinas, nada a equipe viu. Mas, ao demorar mais de uma hora pra voltar, eles tiveram que entrar na casa. Bateram na porta e a mulher atendeu.
- Onde está o Alberto.
- Eu não sei - disse ela - mal chegou e correu em disparada pra fora da casa
- Um tal de Carlos Alberto não mora aqui?
- Não, o meu marido chama-se Henrique - disse a mulher
Nessa hora, Alberto já estava com a sua família em direção à Bahia, onde iriam viver e tinham alguns familiares. Não sem antes contatar alguns pistoleiros de que havia uns homens procurando uma das moças com que ele trabalhava. Quando iam saindo do Espírito Santo, o grupo de pistoleiros abordou eles, e acabou com metade do grupo. Sérgio sobreviveu mas estava muito ferido. Ao chegarem em São Paulo, ele já havia morrido.
Foi um dia de muita tristeza pro grupo, pois tiveram que enterrar um grande número de amigos. Murilo estava desconsolado, pois ele e seu irmão eram muito unidos. Ao terminar a cerimônia, eles voltaram pro galpão, de cabeça baixa e com medo do que podia acontecer com eles.
A semana de folga, as eleições, o ataque dos pistoleiros e a quarta missão
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| E agora, quem chefiará o grupo? |
Ao terminar a leitura em voz alta, César olhou pros lados, procurando um velho da equipe. Chegaram ao seu Horácio, de setenta anos, que há quarenta servia a Fênix. Pergutaram se ele sabia como proceder na situação, e ele disse que sim. Apresar de muito rara, a substituição por desaparecimento já havia acontecido uma vez na sua estadia pelo grupo. Quando ela acontece, zeram-se os cartões de todos e o chefe/diretores eram escolhidos por voto fechado. Então, disse que tinham uma semana pra preparar suas ideias e discursos, que seriam lidos em voz alta, a fim de se conhecer melhor cada um.
Chegado o dia, todos leram os discursos e, incrivelmente, o que mais impressionou foi o de Sérgio, que era considerado "verde", junto com Murilo e César. Ao terminarem as leituras, o velho ordenou que todos formarem um grande círculo em volta do galpão. Preparou então vários papéis e os distribuiu entre todos. Mandou que escrevessem o nome de quem consideravam mais capacitado pra liderar o grupo. Contados os votos, Nelson ganhou. Depois, pediu pra que repetissem o gesto por cinco vezes, pra escolher os diretores. Pra surpresa de todos, Sérgio estava entre eles.
Terminada a eleição, Sérgio foi perguntar a Horácio: "senhor, o que devo eu fazer agora? Não participarei mais de missões abertas?". O velho mandou que ele se acalmasse, pois ele iria já explicar pros novatos como seria daqui pra frente. Numa sala com Murilo, César e Sérgio, ele disse: "Como vocês devem saber, o Sérgio foi escolhido pra direção. Funciona da seguinte forma: as funções dele vão ser colocar na urna os cartões, zelar pela integridade do galpão enquanto os outros realizam as missões e ganharem cartões dourados sempre que a equipe apostada por ele tivesse êxito".
"Como assim?", indagou Murilo, "então vai ter apostas?". O velho disse: "sempre houve, meu rapaz. Os diretores apostam em determinadas equipes. Se aquela equipe receber os cartões dourados, ele recebe também. O chefe, no caso, Nelson, organiza as apostas a fim de que não ocorram fraudes". "E o chefe, como ganha algo?", perguntou César. "O chefe ganha se a maioria das equipes lograrem êxito. Por exemplo, se a missão exigir cinco equipes, ele vai ganhar um cartão dourado se três equipes cumprissem a missão, e irá ganhar um preto se o contrário acontecer", disse Horácio. "E se der empate?", perguntou César. "Aí não se ganha nem se perde cartões", respondeu o velho.
Ao saírem da sala, o senhor perguntou se haviam mais dúvidas. Os jovens disseram que não. Então, foram jantar e dormir, pois só haveria condições de realizar missões no dia seguinte. Sérgio agora acordaria todos os dias às três da manhã pra discutir, com o chefe, as missões do dia, recebendo as diretrizes da Ordem. Depois de escolhidas, faziam as contas de quantas equipes seriam necessárias pra realizar tudo isso. Hoje, seriam divididos em cinco, pois havia quatro missões, uma delas necessitando de duas equipes: uma para adentrar no estabelecimento e outra para dar cobertura.
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| Os pistoleiros atacaram de repente |
No dia seguinte, eles ficaram de fazer as missões do dia anterior, enviando uma carta à Ordem explicando que não cumpririam com as diretrizes do dia pois haviam sido atacados e tiveram que enterrar um dos membros do grupo. Pegaram então os cartões e fizeram cinco equipes, na qual César participava da equipe que tinha como missão dar cobertura e Murilo na de invasão. As outras três foram pra missões menores.
Então, eles foram em direção à casa. Ao chegarem, a equipe de invasão correu pra dentro dela e os outros ficaram no jardim. Ao arrombarem a porta, se depararam com quatro pessoas, que estavam fazendo o desjejum. Todos foram rendidos e amarrados entre si. Ao subirem as escadas, viram um homem que jogou uma granada no grupo, ferindo dois dos intergrantes. O outros então subiram e foram atrás desse homem. O encontraram no quarto, apontando uma arma pra eles. Tentaram fazer um acordo, mas o homem não se rendeu. Então, um deles deu a ideia de que uma pessoa poderia ir, do lado de fora, até a janela do quarto. Ele foi, chegando a apontar a arma pro homem, mas este o notou ali, e virou a espingarda pra ele, o acertando em cheio no peito. Os da equipe aproveitaram a distração do homem pra atirar. Conseguiram matá-lo, e deram início à segunda parte da missão.
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| A batalha foi grande, mas os inimigos enfim foram derrotados |
Ao chegarem lá, uma forte troca de tiros estava acontecendo. Murilo teve a ideia de pegar um sofá da casa pra servir de proteção. Haviam dez pistoleiros do lado de fora. Pouco a pouco, foram eliminando a maioria. Quando perceberam que estavam em dois, os pistoleiros fugiram. Foram dadas apenas duas baixas na missão. Foram então pro galpão e de lá, Murilo foi escolhido pra usar o cartão. Ele foi, muito bem vestido, até um bar da região. Ao mostrar o cartão pro dono, ele teve acesso a um local restrito do bar. Lá, pegou tudo o que conseguiu de ouro e diamantes, os colocando em várias mochilas que havia trazido. Como saída, Murilo achou uma janela que dava pra rua. Então, foi até o galpão e depositou todas as preciosidades. Nessa noite, o grupo comemorou com um jantar de gala, num dos melhores restaurantes da cidade.
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