Não eram nem oito horas quando um dos diretores da Fênix no Brasil chegou pra inspecionar o grupo.
- Parece que esse grupo está tendo muitos contratempos. Primeiro, se mudaram de localização sem comunicar à Ordem. Mas só por isso, tudo bem, pois os responsáveis já foram desligados da equipe. Mas, um ataque de pistoleiros ontem? Vocês não acham isso incomum?
- À primeira vista, sim. - disse Nelson - Mas você tem que ver também que eles nos seguiram até aqui.
- Ah, é o mesmo grupo que foi a causa de vocês saírem de lá?
- Sim, suspeitamos que eles nos seguiram de trem.
- Hmm, sendo assim, tudo bem. Eu deixarei vocês pulares a ordem de ontem, que não fizeram pra fazer a de anteontem, e a partir de hoje vocês fazem a do dia, seguindo as diretrizes da Ordem.
- De acordo. - disse Nelson.
Ao sair, o diretor deu um último recado ao grupo: "evitem sair dos trilhos. Quanto mais um grupo faz isso, mais dor de cabeça ele dá pros seus superiores".
O grupo, então, foi tomar café-da-manhã e depois tiraram os cartões. Na missão de hoje, eles se dividiriam em quatro equipes e as de César e Murilo iam pras margens do rio Tietê, enquanto que a de Sérgio ia pra fronteira do estado com o Espírito Santo, e iriam passar três dias nessa viagem.
A equipe de César foi em direção ao rio pra procurar, nas margens dele, ouro que havia visto sendo enterrado por um escravo. Ao cavarem, rapidamente viram a grande reserva de ouro.
- Meu Deus - disse César - Esse homem enterrou quase uma mina por aqui.
Foi quando observaram a chegada de um negro, com ouro nas costas. Ao perceber a presença deles, jogou a saca no chão e puxou o revólver.
- Esse é o local onde eu guardei, durante trinta anos, uma pequena quantia do que eu tirava em aluviais. Seria bom que vocês deixassem ele aí, senão, vão sofrer as consequências.
Um grande riso dominou a todos do grupo, enquanto o velho fazia uma cara de poucos amigos.
- Meu senhor, desculpe, mas nós somos cinco contra um.
- Isso é o que vocês pensam - disse o homem - Se violarem o meu ouro, vários escravos irão atrás de vocês.
- Que conversa mais esquisita - disse Murilo - Abaixe essa arma.
O negro não abaixou.
- Abaixe esse arma agora! - tornou Murilo a dizer.
Quando já iam sacar as armas, o negro pôs a dele no chão. Deixou que roubassem todo o ouro e ainda zombassem da cara dele. Mal sabiam aquela equipe que todos os escravos das redondezas iriam os perseguir, e que a melhor providência teria sido matar oo tal sujeito.
Ao chegarem no galpão com o ouro, o chefe os parabenizou.
A equipe de Sérgio foi rumo ao Espírito Santo e, durante o trajeto, Sérgio se encantou com uma das mulheres do grupo e concebeu um filho, numa das noites em que se amaram. Ao chegarem na fronteira, tinham que procurar por um homem de nome Alberto, pra que então fizessem um interrogatório. Eles descobriram que ele trabalhava na prefeitura, e, por isso, foram em disparada pra lá. Ao concluir o serviço do dia, ele saiu risonho junto com um amigo, que falou: "tchau, Alberto". Eles então o seguiram até chegar em casa, quando partiram pra cima dele e o levaram pra um terreno baldio.
- Diga logo, homem, onde está a moça? - perguntou Sérgio
- Mas que moça?
- Você sabe muito bem. - disse outro rapaz do grupo
- Acho que vocês procuraram o homem errado
- Não é o senhor que é cafetão nas horas vagas?
- Ah, não (risos), quem é cafetão é o Carlos Alberto, que por coincidência trabalha também na prefeitura
- Pois o senhor vai nos levar até a casa dele - disse Sérgio - e aí você ainda vai ganhar algum dinheiro pela informação
O homem aceitou e foi até a casa do tal Carlos Alberto. Lá chegando, pediram pra que Alberto fosse atrás do amigo e o atraísse pra fora da casa. Então, ele tocou a campainha e quem atendeu foi uma mulher. Ele pediu pra entrar e se sentou no sofá por um tempo. Depois, correu em disparada pra porta dos fundos. Como nas janelas tinham cortinas, nada a equipe viu. Mas, ao demorar mais de uma hora pra voltar, eles tiveram que entrar na casa. Bateram na porta e a mulher atendeu.
- Onde está o Alberto.
- Eu não sei - disse ela - mal chegou e correu em disparada pra fora da casa
- Um tal de Carlos Alberto não mora aqui?
- Não, o meu marido chama-se Henrique - disse a mulher
Nessa hora, Alberto já estava com a sua família em direção à Bahia, onde iriam viver e tinham alguns familiares. Não sem antes contatar alguns pistoleiros de que havia uns homens procurando uma das moças com que ele trabalhava. Quando iam saindo do Espírito Santo, o grupo de pistoleiros abordou eles, e acabou com metade do grupo. Sérgio sobreviveu mas estava muito ferido. Ao chegarem em São Paulo, ele já havia morrido.
Foi um dia de muita tristeza pro grupo, pois tiveram que enterrar um grande número de amigos. Murilo estava desconsolado, pois ele e seu irmão eram muito unidos. Ao terminar a cerimônia, eles voltaram pro galpão, de cabeça baixa e com medo do que podia acontecer com eles.
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