Roberto, quando leu as diretrizes, não conseguiu acreditar que era realmente para aquilo ser feito. Na dúvida, chamou um assistente, que confirmou que seu relato batia com o que estava escrito. Então, ele se levantou, tomou um copo d'águae partiu para o centro do galpão.
- Esqueçam os cartões - ordenou - todos formarão uma só equipe na missão de hoje, e inclusive eu irei participar.
Com todos apreensivos quanto à missão, Geraldo resolveu perguntar:
- É para assassinar alguém?
Roberto disse que não.
- Então, o que pode ser? - perguntou Bruno.
- Nós vamos ter que incendiar todos os galpões da Skyline na cidade. E o pior é que o único grupo que separaram para essa missão foi o nosso. Os outros estão cumprindo as diretrizes comuns.
- Meu Deus! - exclamou César - Hoje vai ser nossa "prova de fogo".
Quando deu duas horas da tarde, passada a digestão da noite, puseram em ação o plano. Havia, ao todo, 50 galpões da Skyline em São Paulo no ano de 1964.
O grupo se dividiu em quatro e saíram queimando cada galpão da concorrente. Ao terminarem, foram, às oito da noite, de volta ao galpão. A segunda parte da missão é ficar no compartimento mais alto do galpão, com suas espingardas, aguardando grupos da Skyline que viessem se vingar. Aos poucos, eles foram aparecendo, e, consequentemente, atingidos pelos membros da Fênix.
Pouquíssimos conseguiam adentrar no galpão e, os que fizessem isso, eram igualmente atingidos por membros do grupo que ficaram em guarda no interior da frente da porta.
Quando já se nascia o sol, a Fênix não havia mandado diretrizes, pois sabia que eles estavam ainda na missão. Então, resolveram alternar. Os atiradores de cima dormiriam metade por três horas, enquanto a outra metade ficava de guarda. E assim, no revezamento, liquidaram todos os que vieram em busca do grupo.
Em dois meses, tendo o episódio de São Paulo misturado com várias dívidas, fizeram com que a Skyline saísse de vários países, dentre eles o Brasil, ficando restrito apenas aos Estados Unidos e Canadá. Cinco anos depois, viria a falir totalmente.
terça-feira, 30 de abril de 2013
segunda-feira, 29 de abril de 2013
A volta de Murilo ao Brasil
No ano de 1956, a Skyline resolveu espalhar seus administradores por países do mundo em que ela tinha pouca representatividade. O Brasil era um desses países. Enquanto nos Estados Unidos e Europa eles eram tão fortes quanto a Fênix, nos países em desenvolvimento eles eram bem fracos. Então, aproveitaram que Murilo falava português nativo e o mandaram pro Brasil. Ele desembarcou junto com seu filho e sua atual mulher no aeroporto de Guarulhos.
Ao chegarem à sede da Skyline em São Paulo, Murilo explicou que não poderia sair do galpão, pois era dado como morto pela Fênix e, se descobrissem que ele estava vivo, seria aplicado a ele a pena de desertor. Então, ele aproveitou que sua patente permitia que ele passasse o dia dentro do galpão e assim o fez. Porém, o seu filho desceu de patente devido a uma briga que teve nos últimos dias em Nova York. Ele agora tinha que passar um ano fazendo diretamente as missões para então poder voltar à sua antiga função.
Numa das missões, que consistia em esperar o trem na parada e fotografar um senhor careca que de lá iria sair, Geraldo encontrou Roberto e Bruno. Ele já o conhecia pois, dois anos antes, Murilo mandou que um representante da Skyline no Brasil tirasse fotos da família, dizendo-se um fotógrafo transeunte. Uma cópia ele deu para eles e outra levou para Nova York.
Sem querer tirar a atenção da missão, avistou o velho careca. Tirou três fotos, todas fazendo que estava consertando a câmera, a fim de não levantar suspeitas. O trem seguiu viagem e todos deixaram a estação. Quando Geraldo voltou pro galpão, ele relatou que havia se encontrado com o seu primo e um amigo dele.
- Não faça contato de nenhuma natureza com eles. - disse Murilo - A vida do seu pai pode estar em perigo se eles desconfiarem de algo.
- Tudo bem, pai, eu não vou me aproximar deles.
E, com esse aviso, Geraldo foi dormir. Ele então sonhou que estava numa praia paradisíaca, cercado de mulheres e tomando refresco de limão. Até que chegava um homem de barba e atirava contra ele. De repente, todo o céu se transformava em cinzas e ele se encontrava no meio de um cemitério. Quando acordou, foi pro quarto do seu pai, para enfim conseguir se acalmar.
- Bobagem, Geraldo. Trate de dormir. Amanhã, lembre-se que comer demais antes do sono faz você ter pesadelos. - disse Murilo
No outro dia, Bruno foi encarregado de uma missão bem difícil. No dia anterior, eles estavam à paisana, devido ao Feriado Mundial da Fênix. Nos dias comuns, Bruno faz as missões sem Roberto, que é chefe de galpão. A missão de Bruno consistia em adentrar numa suposta base nuclear soviética que estava funcionando numa cidade do norte do estado de São Paulo. Na equipe, tinha mais nove homens.
Ao chegarem na tal base, metade da equipe, incluindo ele, foram destruir a entrada principal. Depois de acionarem os explosivos plantados por lá, vários russos correram pro lado de fora da central. Após uma intensa troca de tiros, os da Corporação venceram, com apenas duas baixas. Conseguiram então adentrar e alterar todas as senhas, além de cobrir de explosivos todo o local. Ao terminarem, saíram e se distanciaram um quilômetro da base. Acionaram os explosivos e em segundos tudo da base tinha virado pó.
Ao chegarem à sede da Skyline em São Paulo, Murilo explicou que não poderia sair do galpão, pois era dado como morto pela Fênix e, se descobrissem que ele estava vivo, seria aplicado a ele a pena de desertor. Então, ele aproveitou que sua patente permitia que ele passasse o dia dentro do galpão e assim o fez. Porém, o seu filho desceu de patente devido a uma briga que teve nos últimos dias em Nova York. Ele agora tinha que passar um ano fazendo diretamente as missões para então poder voltar à sua antiga função.
Numa das missões, que consistia em esperar o trem na parada e fotografar um senhor careca que de lá iria sair, Geraldo encontrou Roberto e Bruno. Ele já o conhecia pois, dois anos antes, Murilo mandou que um representante da Skyline no Brasil tirasse fotos da família, dizendo-se um fotógrafo transeunte. Uma cópia ele deu para eles e outra levou para Nova York.
Sem querer tirar a atenção da missão, avistou o velho careca. Tirou três fotos, todas fazendo que estava consertando a câmera, a fim de não levantar suspeitas. O trem seguiu viagem e todos deixaram a estação. Quando Geraldo voltou pro galpão, ele relatou que havia se encontrado com o seu primo e um amigo dele.
- Não faça contato de nenhuma natureza com eles. - disse Murilo - A vida do seu pai pode estar em perigo se eles desconfiarem de algo.
- Tudo bem, pai, eu não vou me aproximar deles.
E, com esse aviso, Geraldo foi dormir. Ele então sonhou que estava numa praia paradisíaca, cercado de mulheres e tomando refresco de limão. Até que chegava um homem de barba e atirava contra ele. De repente, todo o céu se transformava em cinzas e ele se encontrava no meio de um cemitério. Quando acordou, foi pro quarto do seu pai, para enfim conseguir se acalmar.
- Bobagem, Geraldo. Trate de dormir. Amanhã, lembre-se que comer demais antes do sono faz você ter pesadelos. - disse Murilo
No outro dia, Bruno foi encarregado de uma missão bem difícil. No dia anterior, eles estavam à paisana, devido ao Feriado Mundial da Fênix. Nos dias comuns, Bruno faz as missões sem Roberto, que é chefe de galpão. A missão de Bruno consistia em adentrar numa suposta base nuclear soviética que estava funcionando numa cidade do norte do estado de São Paulo. Na equipe, tinha mais nove homens.
Ao chegarem na tal base, metade da equipe, incluindo ele, foram destruir a entrada principal. Depois de acionarem os explosivos plantados por lá, vários russos correram pro lado de fora da central. Após uma intensa troca de tiros, os da Corporação venceram, com apenas duas baixas. Conseguiram então adentrar e alterar todas as senhas, além de cobrir de explosivos todo o local. Ao terminarem, saíram e se distanciaram um quilômetro da base. Acionaram os explosivos e em segundos tudo da base tinha virado pó.
domingo, 28 de abril de 2013
Por onde andará César?
Dentre os mortos/desertores estavam César. Mas, como poderia isso, se ele gostava tanto da Corporação? Desertar, ele nunca faria. Agora, poderia ser que estivesse morto. De qualquer forma, Nelson conseguiu hangarear fundos pra irem atrás do seu amigo César. Depois de cinco dias de buscas, os homens chegaram correndo ao galpão.
- César está vivo! Ele está sendo mantido prisioneiro junto com vários da Fênix.
Então, todos os residentes do galpão e mais alguns aliados de outros galpões foram atacar a tal tribo. Depois de uma batalha quase incessante, com baixa de mais de 1/3 dos homens, eles finalmente conseguiram libertar os prisioneiros. César deu um longo abraço em Nelson, e todos partiram pro galpão.
- Foi pra Nova York? - indagou César sobre Murilo. - Como assim?
- Pois é, ele tinha tido uma longa conversa comigo sobre a Fênix, até que, um dia, voltando de sua lua-de-mel, ele pegou um avião e foi pra Nova York. Lá, segundo os relatos oficiais, foi morto junto com a mulher e o filho.
- Meu Deus, que atrocidade.
Então, César foi ver o pequeno Roberto. Ele disse pra mulher que assumiria a paternidade da criança, cedendo do bom e do melhor a ela.
- Obrigado, César. - disse a moça.
- - - - -
Nos Estados Unidos, a Skyline só vinha crescendo. Agora estava em todos os estados americanos. Com equipamentos bem mais modernos do que a Fênix, ela recrutava pessoas em tempo recorde. Passados cinco anos, já começou a se expandir pra outros países, sendo um deles o Brasil.
Na década de 1950, as duas corporações já estavam em tamanhos iguais. Roberto, então com seus vinte e poucos anos, assumiu como chefe de galpão. Geraldo, dois anos depois, em Nova York, assumiu como diretor da cidade (pois, na Skyline, a gradação é diferente da Fênix).
E foi aí que as duas corporações assinaram um tratado de paz, pois, nos anos anteriores, durante todas as tentativas de contato, a Skyline era desprezada pela Fênix. Somente agora, tendo tamanhos semelhantes, que ela aceitou um acordo.
No Brasil, Nelson já havia falecido, mas César ainda estava vivo, bem como a mãe do Roberto. Eles queriam que o filho estudasse medicina, mas ele mesmo não queria outra coisa na vida a não ser crescer na Corporação. Depois de tanto dizer isso, a mãe e César aceitaram que ele ficasse somente na Fênix.
Já Geraldo, cursava Engenharia numa das melhores universidade de Nova York, e tinha grandes ideias pro desenvolvimento da Skyline, as quais um dia sonhava apresentar pro presidente. Sabia falar quatro línguas: português, inglês, italiano e francês; e ainda tocava piano muito bem.
Roberto tinha, no Brasil, um grande amigo, de nome Bruno. Eles conversavam muito sobre diversos asssuntos. Só não podiam conversar sobre futebol, pois um torcia São Paulo e o outro Corínthians. Bruno era um rapaz muito bondoso, inteligentíssimo e sensível também. Roberto era mais explosivo, insensível algumas vezes e mulherengo.
Depois de muita insistência de Beto, Bruno entrou na Corporação, começando a fazer as missões diárias. No início, se saiu até bem, mas depois ele sentiu a pressão do grupo. Quando ia pedir pra sair, Beto veio em sua direção e deu vários conselhos a ele, o que fizeram ele resolver ficar.
- César está vivo! Ele está sendo mantido prisioneiro junto com vários da Fênix.
Então, todos os residentes do galpão e mais alguns aliados de outros galpões foram atacar a tal tribo. Depois de uma batalha quase incessante, com baixa de mais de 1/3 dos homens, eles finalmente conseguiram libertar os prisioneiros. César deu um longo abraço em Nelson, e todos partiram pro galpão.
- Foi pra Nova York? - indagou César sobre Murilo. - Como assim?
- Pois é, ele tinha tido uma longa conversa comigo sobre a Fênix, até que, um dia, voltando de sua lua-de-mel, ele pegou um avião e foi pra Nova York. Lá, segundo os relatos oficiais, foi morto junto com a mulher e o filho.
- Meu Deus, que atrocidade.
Então, César foi ver o pequeno Roberto. Ele disse pra mulher que assumiria a paternidade da criança, cedendo do bom e do melhor a ela.
- Obrigado, César. - disse a moça.
- - - - -
Nos Estados Unidos, a Skyline só vinha crescendo. Agora estava em todos os estados americanos. Com equipamentos bem mais modernos do que a Fênix, ela recrutava pessoas em tempo recorde. Passados cinco anos, já começou a se expandir pra outros países, sendo um deles o Brasil.
Na década de 1950, as duas corporações já estavam em tamanhos iguais. Roberto, então com seus vinte e poucos anos, assumiu como chefe de galpão. Geraldo, dois anos depois, em Nova York, assumiu como diretor da cidade (pois, na Skyline, a gradação é diferente da Fênix).
E foi aí que as duas corporações assinaram um tratado de paz, pois, nos anos anteriores, durante todas as tentativas de contato, a Skyline era desprezada pela Fênix. Somente agora, tendo tamanhos semelhantes, que ela aceitou um acordo.
No Brasil, Nelson já havia falecido, mas César ainda estava vivo, bem como a mãe do Roberto. Eles queriam que o filho estudasse medicina, mas ele mesmo não queria outra coisa na vida a não ser crescer na Corporação. Depois de tanto dizer isso, a mãe e César aceitaram que ele ficasse somente na Fênix.
Já Geraldo, cursava Engenharia numa das melhores universidade de Nova York, e tinha grandes ideias pro desenvolvimento da Skyline, as quais um dia sonhava apresentar pro presidente. Sabia falar quatro línguas: português, inglês, italiano e francês; e ainda tocava piano muito bem.
Roberto tinha, no Brasil, um grande amigo, de nome Bruno. Eles conversavam muito sobre diversos asssuntos. Só não podiam conversar sobre futebol, pois um torcia São Paulo e o outro Corínthians. Bruno era um rapaz muito bondoso, inteligentíssimo e sensível também. Roberto era mais explosivo, insensível algumas vezes e mulherengo.
Depois de muita insistência de Beto, Bruno entrou na Corporação, começando a fazer as missões diárias. No início, se saiu até bem, mas depois ele sentiu a pressão do grupo. Quando ia pedir pra sair, Beto veio em sua direção e deu vários conselhos a ele, o que fizeram ele resolver ficar.
O nascimento de Roberto
Passaram-se cinco meses desde o incidente, quando a mulher que tinha tido relações com Sérgio dissesse a Murilo que estava grávida dele.
- Então quer dizer que eu vou ganhar em sobrinho? Que ótima notícia!
Quando o grupo foi propor um nome, Roberto ganhou. E assim, no dia 5 de outubro, nasceu o pequeno filho de Sérgio.
- Mas como ele é lindo! - disse Nelson - Quem me dera ter um filho assim.
A moça, risonha, acolheu o menino ainda ensanguentado nos braços, beijando-o. Depois, foram do hospital pro galpão, cumprir os afazeres diários.
Murilo começou a se encantar por uma novata. Ela chamava-se Flávia e tinha lindos lábios. Ele, então, depois de alguns dias de paquera, a pediu em namoro. No primeiro ano, antes mesmo do casamento, eles tiveram um filho, de nome Geraldo. Depois, o pai da moça exigiu o casamento, e assim eles o fizeram.
Quando na ocasião do casamento, veio um diretor da Fênix falar com Murilo e Flávia. Ele explicou que, quando membros da organização se casam, eles têm direito a um mês de férias e, quando voltarem, conhecerem as instalações da Fênix no Brasil.
Eles foram passar a lua-de-mel em Paris, e visitaram muitas outras cidades do interior da França. Ao chegarem de viagem, aceitaram o convite de conhecer a sede brasileira da Fênix. Ao lá chegarem, um acompanhante os levou pros lugares mais importantes da corporação, bem como a central de aviões e a biblioteca imensa, só de escritos de brasileiros sobre a Fênix.
O casal agradeceu a companhia e disse que queria passar um tempo a sós por lá. Então, foram até o galpão dos aviões e viram um com a bandeira americana pintada. Eles disseram aos pilotos que iriam até a sede mundial da Fênix, nos Estados Unidos. A dupla pediu as credenciais, mas eles disseram que tinham perdido. A boa aparência deles, juntando ao inglês quase perfeito de Murilo, os comandantes acharam que eles estavam dizendo a verdade, apenas tinham passado por algum contratempo e perdido as credenciais. Ele jogou uma conversa tão convincente que eles realmente acreditaram. A decolagem ia acontecer em dois minutos, e os pilotos não teriam tempo de discutir com o casal. Então, partiram, com destino a Nova York.
Chegando lá, Murilo sabia que estava na sede mundial. Os pilotos então foram fazer algumas perguntas quando viram os dois fugindo. Ao chegarem na rua, roubaram um carro e foram dirigindo até despistarem os homens e chegarem num hotel. Lá, disse à moça que eles queriam um quarto, e ela deu a chave a eles. Pouco tempo depois, quando os três já estavam dormindo, os agentes chegaram.
Foram até o quarto onde eles três estavam e atiraram nos dois, matando a mulher. Ao verem o bebê no colo dela, deixaram-no viver e fizeram de conta que nem tinham visto, pois não tinham coragem de matar um ser tão inofensivo. Então, a moça do hotel, quando chegou no quarto, deu um berro apavorante. Murilo, que estava se fingindo de morto, tinha levado apenas um tiro no braço e, com tremenda habilidade, saiu do hotel pela janela.
E aí, na cidade de Nova York, ele decidiu desertar. Passou a trabalhar no almoxarifado de algumas obras, depois como mecânico em oficinas, até que ele ficou sabendo da existência de outro grupo, com sede principal também nessa cidade, e que estava em rivalidade com a Fênix. O grupo chamava-se Skyline. Murilo, então, se inscreveu na corporação, e aceitou realizar trabalhos pra eles. E foi assim que começou outra aventura.
- Então quer dizer que eu vou ganhar em sobrinho? Que ótima notícia!
Quando o grupo foi propor um nome, Roberto ganhou. E assim, no dia 5 de outubro, nasceu o pequeno filho de Sérgio.
- Mas como ele é lindo! - disse Nelson - Quem me dera ter um filho assim.
A moça, risonha, acolheu o menino ainda ensanguentado nos braços, beijando-o. Depois, foram do hospital pro galpão, cumprir os afazeres diários.
Murilo começou a se encantar por uma novata. Ela chamava-se Flávia e tinha lindos lábios. Ele, então, depois de alguns dias de paquera, a pediu em namoro. No primeiro ano, antes mesmo do casamento, eles tiveram um filho, de nome Geraldo. Depois, o pai da moça exigiu o casamento, e assim eles o fizeram.
Quando na ocasião do casamento, veio um diretor da Fênix falar com Murilo e Flávia. Ele explicou que, quando membros da organização se casam, eles têm direito a um mês de férias e, quando voltarem, conhecerem as instalações da Fênix no Brasil.
Eles foram passar a lua-de-mel em Paris, e visitaram muitas outras cidades do interior da França. Ao chegarem de viagem, aceitaram o convite de conhecer a sede brasileira da Fênix. Ao lá chegarem, um acompanhante os levou pros lugares mais importantes da corporação, bem como a central de aviões e a biblioteca imensa, só de escritos de brasileiros sobre a Fênix.
O casal agradeceu a companhia e disse que queria passar um tempo a sós por lá. Então, foram até o galpão dos aviões e viram um com a bandeira americana pintada. Eles disseram aos pilotos que iriam até a sede mundial da Fênix, nos Estados Unidos. A dupla pediu as credenciais, mas eles disseram que tinham perdido. A boa aparência deles, juntando ao inglês quase perfeito de Murilo, os comandantes acharam que eles estavam dizendo a verdade, apenas tinham passado por algum contratempo e perdido as credenciais. Ele jogou uma conversa tão convincente que eles realmente acreditaram. A decolagem ia acontecer em dois minutos, e os pilotos não teriam tempo de discutir com o casal. Então, partiram, com destino a Nova York.
Chegando lá, Murilo sabia que estava na sede mundial. Os pilotos então foram fazer algumas perguntas quando viram os dois fugindo. Ao chegarem na rua, roubaram um carro e foram dirigindo até despistarem os homens e chegarem num hotel. Lá, disse à moça que eles queriam um quarto, e ela deu a chave a eles. Pouco tempo depois, quando os três já estavam dormindo, os agentes chegaram.
Foram até o quarto onde eles três estavam e atiraram nos dois, matando a mulher. Ao verem o bebê no colo dela, deixaram-no viver e fizeram de conta que nem tinham visto, pois não tinham coragem de matar um ser tão inofensivo. Então, a moça do hotel, quando chegou no quarto, deu um berro apavorante. Murilo, que estava se fingindo de morto, tinha levado apenas um tiro no braço e, com tremenda habilidade, saiu do hotel pela janela.
E aí, na cidade de Nova York, ele decidiu desertar. Passou a trabalhar no almoxarifado de algumas obras, depois como mecânico em oficinas, até que ele ficou sabendo da existência de outro grupo, com sede principal também nessa cidade, e que estava em rivalidade com a Fênix. O grupo chamava-se Skyline. Murilo, então, se inscreveu na corporação, e aceitou realizar trabalhos pra eles. E foi assim que começou outra aventura.
O ataque dos escravos
Era uma sexta-feira 13 quando o grupo acordou disposto. Já havia passado um mês desde o incidente do Espírito Santo. O grupo já estava restabelecido, e agora Murilo era tutor de uma série de novatos, explicando como funcionava a Fênix e outras questões. Foi aí que, quando duas das equipes já tinham saído, que uma quantidade gigantesca de escravos vinha correndo rumo ao galpão.
- Meu Deus! - disse Nelson - Eu nunca vi tanto homem junto. Vamos abandonar esse galpão e nos dispersar pelos arredores, matando aos poucos os escravos.
E assim foi feito. Pouco a pouco, um membro do grupo achava um escravo na mata e o matava. Pela noite, já haviam quase acabado com eles. As equipes que chegaram das missões, das quais uma incluía Murilo, perceberam que algo de errado estava acontecendo. Até que Nelson apareceu.
- Rapaz, o que houve? - indagou Murilo.
- Os escravos vieram se vingar do episódio do ouro. Nós então nos disperçamos pela mata e agora devem estar voltando os que foram.
Mas o problema é que não voltou mais ninguém. Uma parte tinha morrido e a outra aproveitou a oportunidade pra desertar. Então, no dia seguinte, Nelson fez uma rara carta de recrutamento, que só é feita quando há muitas baixas e que os olheiros já não dariam conta de repor tanto pessoal em tão pouco tempo. Então, ele a enviou pra ordem regional da Fênix.
Um diretor veio visitar o galpão, pra ter uma conversa com Nelson. Ao esclarecer alguns pontos, o diretor concordou que eles não podiam cumprir as diretrizes diárias com tão poucos homens. Ele disse que uma parte seria mandada ainda à noite daquele dia e que o resto chegaria de manhã.
- Diretor, você podia me fazer um favor? - perguntou Nelson
- Depende de qual for - disse o diretor, franzindo a testa.
- Eu gostaria de ter o tão famoso Livro da Corporação Fênix
O diretor riu um pouco e depois disse:
- Esse livro eu passei cinco anos como diretor pra ter acesso. Ele contém informações muito secretas e não é pra qualquer um ter acesso a ele.
- Tudo bem, eu compreendo - disse Nelson
Após se despedirem, Nelson e Murilo foram organizando o galpão.
- Como você soube do livro? - perguntou Murilo
- Ah, o seu Horácio um dia me contou que havia um livro sobre a Corporação
- O que tem escrito nele?
- Segundo Horácio, uma vez ele teve acesso por uma hora ao livro, quando trabalhava de bibliotecário na sede nacional da fênix. Ele disse que, em uma parte, tem toda a história da Corporação. Depois, tem instruções em geral, de como agir em circunstâncias extremas, entre outras coisas. Tem dois capítulos totalmente mágicos, com escritos dos alquimistas de várias épocas. Mas o Horácio disse que o que tentou fazer não deu certo, mesmo seguindo as instruções.
- Devem ser só lendas - disse Murilo - eu sou muito cético quanto a essas coisas de magia
- Pois bem, tem mais trinta e poucos capítulos. O Horácio disse que não conseguiu ler todo, pois um oficial chegou e ele teve que guardar o tal livro.
- Nossa, que história. - disse Murilo
- Meu Deus! - disse Nelson - Eu nunca vi tanto homem junto. Vamos abandonar esse galpão e nos dispersar pelos arredores, matando aos poucos os escravos.
E assim foi feito. Pouco a pouco, um membro do grupo achava um escravo na mata e o matava. Pela noite, já haviam quase acabado com eles. As equipes que chegaram das missões, das quais uma incluía Murilo, perceberam que algo de errado estava acontecendo. Até que Nelson apareceu.
- Rapaz, o que houve? - indagou Murilo.
- Os escravos vieram se vingar do episódio do ouro. Nós então nos disperçamos pela mata e agora devem estar voltando os que foram.
Mas o problema é que não voltou mais ninguém. Uma parte tinha morrido e a outra aproveitou a oportunidade pra desertar. Então, no dia seguinte, Nelson fez uma rara carta de recrutamento, que só é feita quando há muitas baixas e que os olheiros já não dariam conta de repor tanto pessoal em tão pouco tempo. Então, ele a enviou pra ordem regional da Fênix.
Um diretor veio visitar o galpão, pra ter uma conversa com Nelson. Ao esclarecer alguns pontos, o diretor concordou que eles não podiam cumprir as diretrizes diárias com tão poucos homens. Ele disse que uma parte seria mandada ainda à noite daquele dia e que o resto chegaria de manhã.
- Diretor, você podia me fazer um favor? - perguntou Nelson
- Depende de qual for - disse o diretor, franzindo a testa.
- Eu gostaria de ter o tão famoso Livro da Corporação Fênix
O diretor riu um pouco e depois disse:
- Esse livro eu passei cinco anos como diretor pra ter acesso. Ele contém informações muito secretas e não é pra qualquer um ter acesso a ele.
- Tudo bem, eu compreendo - disse Nelson
Após se despedirem, Nelson e Murilo foram organizando o galpão.
- Como você soube do livro? - perguntou Murilo
- Ah, o seu Horácio um dia me contou que havia um livro sobre a Corporação
- O que tem escrito nele?
- Segundo Horácio, uma vez ele teve acesso por uma hora ao livro, quando trabalhava de bibliotecário na sede nacional da fênix. Ele disse que, em uma parte, tem toda a história da Corporação. Depois, tem instruções em geral, de como agir em circunstâncias extremas, entre outras coisas. Tem dois capítulos totalmente mágicos, com escritos dos alquimistas de várias épocas. Mas o Horácio disse que o que tentou fazer não deu certo, mesmo seguindo as instruções.
- Devem ser só lendas - disse Murilo - eu sou muito cético quanto a essas coisas de magia
- Pois bem, tem mais trinta e poucos capítulos. O Horácio disse que não conseguiu ler todo, pois um oficial chegou e ele teve que guardar o tal livro.
- Nossa, que história. - disse Murilo
A visita do diretor e a quinta missão
Não eram nem oito horas quando um dos diretores da Fênix no Brasil chegou pra inspecionar o grupo.
- Parece que esse grupo está tendo muitos contratempos. Primeiro, se mudaram de localização sem comunicar à Ordem. Mas só por isso, tudo bem, pois os responsáveis já foram desligados da equipe. Mas, um ataque de pistoleiros ontem? Vocês não acham isso incomum?
- À primeira vista, sim. - disse Nelson - Mas você tem que ver também que eles nos seguiram até aqui.
- Ah, é o mesmo grupo que foi a causa de vocês saírem de lá?
- Sim, suspeitamos que eles nos seguiram de trem.
- Hmm, sendo assim, tudo bem. Eu deixarei vocês pulares a ordem de ontem, que não fizeram pra fazer a de anteontem, e a partir de hoje vocês fazem a do dia, seguindo as diretrizes da Ordem.
- De acordo. - disse Nelson.
Ao sair, o diretor deu um último recado ao grupo: "evitem sair dos trilhos. Quanto mais um grupo faz isso, mais dor de cabeça ele dá pros seus superiores".
O grupo, então, foi tomar café-da-manhã e depois tiraram os cartões. Na missão de hoje, eles se dividiriam em quatro equipes e as de César e Murilo iam pras margens do rio Tietê, enquanto que a de Sérgio ia pra fronteira do estado com o Espírito Santo, e iriam passar três dias nessa viagem.
A equipe de César foi em direção ao rio pra procurar, nas margens dele, ouro que havia visto sendo enterrado por um escravo. Ao cavarem, rapidamente viram a grande reserva de ouro.
- Meu Deus - disse César - Esse homem enterrou quase uma mina por aqui.
Foi quando observaram a chegada de um negro, com ouro nas costas. Ao perceber a presença deles, jogou a saca no chão e puxou o revólver.
- Esse é o local onde eu guardei, durante trinta anos, uma pequena quantia do que eu tirava em aluviais. Seria bom que vocês deixassem ele aí, senão, vão sofrer as consequências.
Um grande riso dominou a todos do grupo, enquanto o velho fazia uma cara de poucos amigos.
- Meu senhor, desculpe, mas nós somos cinco contra um.
- Isso é o que vocês pensam - disse o homem - Se violarem o meu ouro, vários escravos irão atrás de vocês.
- Que conversa mais esquisita - disse Murilo - Abaixe essa arma.
O negro não abaixou.
- Abaixe esse arma agora! - tornou Murilo a dizer.
Quando já iam sacar as armas, o negro pôs a dele no chão. Deixou que roubassem todo o ouro e ainda zombassem da cara dele. Mal sabiam aquela equipe que todos os escravos das redondezas iriam os perseguir, e que a melhor providência teria sido matar oo tal sujeito.
Ao chegarem no galpão com o ouro, o chefe os parabenizou.
A equipe de Sérgio foi rumo ao Espírito Santo e, durante o trajeto, Sérgio se encantou com uma das mulheres do grupo e concebeu um filho, numa das noites em que se amaram. Ao chegarem na fronteira, tinham que procurar por um homem de nome Alberto, pra que então fizessem um interrogatório. Eles descobriram que ele trabalhava na prefeitura, e, por isso, foram em disparada pra lá. Ao concluir o serviço do dia, ele saiu risonho junto com um amigo, que falou: "tchau, Alberto". Eles então o seguiram até chegar em casa, quando partiram pra cima dele e o levaram pra um terreno baldio.
- Diga logo, homem, onde está a moça? - perguntou Sérgio
- Mas que moça?
- Você sabe muito bem. - disse outro rapaz do grupo
- Acho que vocês procuraram o homem errado
- Não é o senhor que é cafetão nas horas vagas?
- Ah, não (risos), quem é cafetão é o Carlos Alberto, que por coincidência trabalha também na prefeitura
- Pois o senhor vai nos levar até a casa dele - disse Sérgio - e aí você ainda vai ganhar algum dinheiro pela informação
O homem aceitou e foi até a casa do tal Carlos Alberto. Lá chegando, pediram pra que Alberto fosse atrás do amigo e o atraísse pra fora da casa. Então, ele tocou a campainha e quem atendeu foi uma mulher. Ele pediu pra entrar e se sentou no sofá por um tempo. Depois, correu em disparada pra porta dos fundos. Como nas janelas tinham cortinas, nada a equipe viu. Mas, ao demorar mais de uma hora pra voltar, eles tiveram que entrar na casa. Bateram na porta e a mulher atendeu.
- Onde está o Alberto.
- Eu não sei - disse ela - mal chegou e correu em disparada pra fora da casa
- Um tal de Carlos Alberto não mora aqui?
- Não, o meu marido chama-se Henrique - disse a mulher
Nessa hora, Alberto já estava com a sua família em direção à Bahia, onde iriam viver e tinham alguns familiares. Não sem antes contatar alguns pistoleiros de que havia uns homens procurando uma das moças com que ele trabalhava. Quando iam saindo do Espírito Santo, o grupo de pistoleiros abordou eles, e acabou com metade do grupo. Sérgio sobreviveu mas estava muito ferido. Ao chegarem em São Paulo, ele já havia morrido.
Foi um dia de muita tristeza pro grupo, pois tiveram que enterrar um grande número de amigos. Murilo estava desconsolado, pois ele e seu irmão eram muito unidos. Ao terminar a cerimônia, eles voltaram pro galpão, de cabeça baixa e com medo do que podia acontecer com eles.
- Parece que esse grupo está tendo muitos contratempos. Primeiro, se mudaram de localização sem comunicar à Ordem. Mas só por isso, tudo bem, pois os responsáveis já foram desligados da equipe. Mas, um ataque de pistoleiros ontem? Vocês não acham isso incomum?
- À primeira vista, sim. - disse Nelson - Mas você tem que ver também que eles nos seguiram até aqui.
- Ah, é o mesmo grupo que foi a causa de vocês saírem de lá?
- Sim, suspeitamos que eles nos seguiram de trem.
- Hmm, sendo assim, tudo bem. Eu deixarei vocês pulares a ordem de ontem, que não fizeram pra fazer a de anteontem, e a partir de hoje vocês fazem a do dia, seguindo as diretrizes da Ordem.
- De acordo. - disse Nelson.
Ao sair, o diretor deu um último recado ao grupo: "evitem sair dos trilhos. Quanto mais um grupo faz isso, mais dor de cabeça ele dá pros seus superiores".
O grupo, então, foi tomar café-da-manhã e depois tiraram os cartões. Na missão de hoje, eles se dividiriam em quatro equipes e as de César e Murilo iam pras margens do rio Tietê, enquanto que a de Sérgio ia pra fronteira do estado com o Espírito Santo, e iriam passar três dias nessa viagem.
A equipe de César foi em direção ao rio pra procurar, nas margens dele, ouro que havia visto sendo enterrado por um escravo. Ao cavarem, rapidamente viram a grande reserva de ouro.
- Meu Deus - disse César - Esse homem enterrou quase uma mina por aqui.
Foi quando observaram a chegada de um negro, com ouro nas costas. Ao perceber a presença deles, jogou a saca no chão e puxou o revólver.
- Esse é o local onde eu guardei, durante trinta anos, uma pequena quantia do que eu tirava em aluviais. Seria bom que vocês deixassem ele aí, senão, vão sofrer as consequências.
Um grande riso dominou a todos do grupo, enquanto o velho fazia uma cara de poucos amigos.
- Meu senhor, desculpe, mas nós somos cinco contra um.
- Isso é o que vocês pensam - disse o homem - Se violarem o meu ouro, vários escravos irão atrás de vocês.
- Que conversa mais esquisita - disse Murilo - Abaixe essa arma.
O negro não abaixou.
- Abaixe esse arma agora! - tornou Murilo a dizer.
Quando já iam sacar as armas, o negro pôs a dele no chão. Deixou que roubassem todo o ouro e ainda zombassem da cara dele. Mal sabiam aquela equipe que todos os escravos das redondezas iriam os perseguir, e que a melhor providência teria sido matar oo tal sujeito.
Ao chegarem no galpão com o ouro, o chefe os parabenizou.
A equipe de Sérgio foi rumo ao Espírito Santo e, durante o trajeto, Sérgio se encantou com uma das mulheres do grupo e concebeu um filho, numa das noites em que se amaram. Ao chegarem na fronteira, tinham que procurar por um homem de nome Alberto, pra que então fizessem um interrogatório. Eles descobriram que ele trabalhava na prefeitura, e, por isso, foram em disparada pra lá. Ao concluir o serviço do dia, ele saiu risonho junto com um amigo, que falou: "tchau, Alberto". Eles então o seguiram até chegar em casa, quando partiram pra cima dele e o levaram pra um terreno baldio.
- Diga logo, homem, onde está a moça? - perguntou Sérgio
- Mas que moça?
- Você sabe muito bem. - disse outro rapaz do grupo
- Acho que vocês procuraram o homem errado
- Não é o senhor que é cafetão nas horas vagas?
- Ah, não (risos), quem é cafetão é o Carlos Alberto, que por coincidência trabalha também na prefeitura
- Pois o senhor vai nos levar até a casa dele - disse Sérgio - e aí você ainda vai ganhar algum dinheiro pela informação
O homem aceitou e foi até a casa do tal Carlos Alberto. Lá chegando, pediram pra que Alberto fosse atrás do amigo e o atraísse pra fora da casa. Então, ele tocou a campainha e quem atendeu foi uma mulher. Ele pediu pra entrar e se sentou no sofá por um tempo. Depois, correu em disparada pra porta dos fundos. Como nas janelas tinham cortinas, nada a equipe viu. Mas, ao demorar mais de uma hora pra voltar, eles tiveram que entrar na casa. Bateram na porta e a mulher atendeu.
- Onde está o Alberto.
- Eu não sei - disse ela - mal chegou e correu em disparada pra fora da casa
- Um tal de Carlos Alberto não mora aqui?
- Não, o meu marido chama-se Henrique - disse a mulher
Nessa hora, Alberto já estava com a sua família em direção à Bahia, onde iriam viver e tinham alguns familiares. Não sem antes contatar alguns pistoleiros de que havia uns homens procurando uma das moças com que ele trabalhava. Quando iam saindo do Espírito Santo, o grupo de pistoleiros abordou eles, e acabou com metade do grupo. Sérgio sobreviveu mas estava muito ferido. Ao chegarem em São Paulo, ele já havia morrido.
Foi um dia de muita tristeza pro grupo, pois tiveram que enterrar um grande número de amigos. Murilo estava desconsolado, pois ele e seu irmão eram muito unidos. Ao terminar a cerimônia, eles voltaram pro galpão, de cabeça baixa e com medo do que podia acontecer com eles.
A semana de folga, as eleições, o ataque dos pistoleiros e a quarta missão
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| E agora, quem chefiará o grupo? |
Ao terminar a leitura em voz alta, César olhou pros lados, procurando um velho da equipe. Chegaram ao seu Horácio, de setenta anos, que há quarenta servia a Fênix. Pergutaram se ele sabia como proceder na situação, e ele disse que sim. Apresar de muito rara, a substituição por desaparecimento já havia acontecido uma vez na sua estadia pelo grupo. Quando ela acontece, zeram-se os cartões de todos e o chefe/diretores eram escolhidos por voto fechado. Então, disse que tinham uma semana pra preparar suas ideias e discursos, que seriam lidos em voz alta, a fim de se conhecer melhor cada um.
Chegado o dia, todos leram os discursos e, incrivelmente, o que mais impressionou foi o de Sérgio, que era considerado "verde", junto com Murilo e César. Ao terminarem as leituras, o velho ordenou que todos formarem um grande círculo em volta do galpão. Preparou então vários papéis e os distribuiu entre todos. Mandou que escrevessem o nome de quem consideravam mais capacitado pra liderar o grupo. Contados os votos, Nelson ganhou. Depois, pediu pra que repetissem o gesto por cinco vezes, pra escolher os diretores. Pra surpresa de todos, Sérgio estava entre eles.
Terminada a eleição, Sérgio foi perguntar a Horácio: "senhor, o que devo eu fazer agora? Não participarei mais de missões abertas?". O velho mandou que ele se acalmasse, pois ele iria já explicar pros novatos como seria daqui pra frente. Numa sala com Murilo, César e Sérgio, ele disse: "Como vocês devem saber, o Sérgio foi escolhido pra direção. Funciona da seguinte forma: as funções dele vão ser colocar na urna os cartões, zelar pela integridade do galpão enquanto os outros realizam as missões e ganharem cartões dourados sempre que a equipe apostada por ele tivesse êxito".
"Como assim?", indagou Murilo, "então vai ter apostas?". O velho disse: "sempre houve, meu rapaz. Os diretores apostam em determinadas equipes. Se aquela equipe receber os cartões dourados, ele recebe também. O chefe, no caso, Nelson, organiza as apostas a fim de que não ocorram fraudes". "E o chefe, como ganha algo?", perguntou César. "O chefe ganha se a maioria das equipes lograrem êxito. Por exemplo, se a missão exigir cinco equipes, ele vai ganhar um cartão dourado se três equipes cumprissem a missão, e irá ganhar um preto se o contrário acontecer", disse Horácio. "E se der empate?", perguntou César. "Aí não se ganha nem se perde cartões", respondeu o velho.
Ao saírem da sala, o senhor perguntou se haviam mais dúvidas. Os jovens disseram que não. Então, foram jantar e dormir, pois só haveria condições de realizar missões no dia seguinte. Sérgio agora acordaria todos os dias às três da manhã pra discutir, com o chefe, as missões do dia, recebendo as diretrizes da Ordem. Depois de escolhidas, faziam as contas de quantas equipes seriam necessárias pra realizar tudo isso. Hoje, seriam divididos em cinco, pois havia quatro missões, uma delas necessitando de duas equipes: uma para adentrar no estabelecimento e outra para dar cobertura.
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| Os pistoleiros atacaram de repente |
No dia seguinte, eles ficaram de fazer as missões do dia anterior, enviando uma carta à Ordem explicando que não cumpririam com as diretrizes do dia pois haviam sido atacados e tiveram que enterrar um dos membros do grupo. Pegaram então os cartões e fizeram cinco equipes, na qual César participava da equipe que tinha como missão dar cobertura e Murilo na de invasão. As outras três foram pra missões menores.
Então, eles foram em direção à casa. Ao chegarem, a equipe de invasão correu pra dentro dela e os outros ficaram no jardim. Ao arrombarem a porta, se depararam com quatro pessoas, que estavam fazendo o desjejum. Todos foram rendidos e amarrados entre si. Ao subirem as escadas, viram um homem que jogou uma granada no grupo, ferindo dois dos intergrantes. O outros então subiram e foram atrás desse homem. O encontraram no quarto, apontando uma arma pra eles. Tentaram fazer um acordo, mas o homem não se rendeu. Então, um deles deu a ideia de que uma pessoa poderia ir, do lado de fora, até a janela do quarto. Ele foi, chegando a apontar a arma pro homem, mas este o notou ali, e virou a espingarda pra ele, o acertando em cheio no peito. Os da equipe aproveitaram a distração do homem pra atirar. Conseguiram matá-lo, e deram início à segunda parte da missão.
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| A batalha foi grande, mas os inimigos enfim foram derrotados |
Ao chegarem lá, uma forte troca de tiros estava acontecendo. Murilo teve a ideia de pegar um sofá da casa pra servir de proteção. Haviam dez pistoleiros do lado de fora. Pouco a pouco, foram eliminando a maioria. Quando perceberam que estavam em dois, os pistoleiros fugiram. Foram dadas apenas duas baixas na missão. Foram então pro galpão e de lá, Murilo foi escolhido pra usar o cartão. Ele foi, muito bem vestido, até um bar da região. Ao mostrar o cartão pro dono, ele teve acesso a um local restrito do bar. Lá, pegou tudo o que conseguiu de ouro e diamantes, os colocando em várias mochilas que havia trazido. Como saída, Murilo achou uma janela que dava pra rua. Então, foi até o galpão e depositou todas as preciosidades. Nessa noite, o grupo comemorou com um jantar de gala, num dos melhores restaurantes da cidade.
sábado, 27 de abril de 2013
A troca de sede e a terceira missão
Por mais um dia, a corneta soou e todos foram pro centro do galpão. Após pegarem suas fichas, eles formaram as filas, como de costume. Foi aí que o velho apareceu. "Quero que vocês saibam que essa é a nossa última missão por aqui.". Um silêncio profundo contagiou a todos. "Estamos nos mudando porque o grupo terrorista descobriu a nossa localização e nos ameaçou concretamente hoje."
"Mas, senhor, onde nós vamos ficar?", perguntou um dos jovens. "Vamos pra São Paulo, cidade que além de ter a maior concentração de grupos, é a mais segura, pois nela não há grupos terroristas como os daqui". Todos concordaram e deram início à troca de sede.
Depois de tudo guardado e posto no trem, incluindo barras de ouro, comida e prisioneiros, partiram rumo a São Paulo. Porém, quando o trem estava na fronteira do Mato Grosso, alguns indivíduos do grupo terrorista subiram no trem sem que eles percebessem. Eles ficaram nos vagões traseiros do trem, enquanto que o grupo estava nos vagões posteriores.
Ao chegarem em São Paulo, pegaram seus cavalos e foram até um galpão que o chefe tinha arranjado há muito tempo para usarem em caso de extrema necessidade. Mal entraram nele e o chefe já disse: "não sei porque eu resisti tanto a vir pra cá. Olhem só como é lindo aqui". Todos concordaram e começaram a arrumar o local.
Enquanto isso, o grupo de pistoleiros já voltava de trem pro Mato Grosso, após terem os seguido até São Paulo. Em questão de dias, possivelmente teria um ataque contra eles.
Enfim, chegou a hora da missão do dia. Retiraram cada um os seus respectivos cartões e foram fazer suas missões. Dessa vez, os irmãos ficaram juntos. O objetivo de todas as equipes era localizar os galpões que abrigavam grupos, pois a listagem oficial do grupo Fênix ia demorar um mês pra ser entregue, passando por um longo processo burocrático.
Eles iriam descobrir isso se passando por vendedores de doces. No primeiro galpão, Murilo apareceu com uns doces e um homem o atendeu. "Desculpe, mas você quer um doce?" Deu pra notar de fora que havia muita gente no galpão. O homem bateu a porta na cara dele. Então, ficou registrado que ali funcionava um grupo.
Em outro galpão, Sérgio perguntou a mesma coisa. Mas, ao contrário do outro, o convidou pra entrar e tomar um café. Lá dentro, apenas havia carneiros e muita palha. Então, ficou sabido de que aquele galpão não abrigava grupo nenhum.
Ao escurecer, voltaram todas as quatro equipes com a localização exata dos galpões. O chefe ficou tão satisfeito que deu cinco cartões dourados a cada um do grupo.
"Mas, senhor, onde nós vamos ficar?", perguntou um dos jovens. "Vamos pra São Paulo, cidade que além de ter a maior concentração de grupos, é a mais segura, pois nela não há grupos terroristas como os daqui". Todos concordaram e deram início à troca de sede.
Depois de tudo guardado e posto no trem, incluindo barras de ouro, comida e prisioneiros, partiram rumo a São Paulo. Porém, quando o trem estava na fronteira do Mato Grosso, alguns indivíduos do grupo terrorista subiram no trem sem que eles percebessem. Eles ficaram nos vagões traseiros do trem, enquanto que o grupo estava nos vagões posteriores.
Ao chegarem em São Paulo, pegaram seus cavalos e foram até um galpão que o chefe tinha arranjado há muito tempo para usarem em caso de extrema necessidade. Mal entraram nele e o chefe já disse: "não sei porque eu resisti tanto a vir pra cá. Olhem só como é lindo aqui". Todos concordaram e começaram a arrumar o local.
Enquanto isso, o grupo de pistoleiros já voltava de trem pro Mato Grosso, após terem os seguido até São Paulo. Em questão de dias, possivelmente teria um ataque contra eles.
Enfim, chegou a hora da missão do dia. Retiraram cada um os seus respectivos cartões e foram fazer suas missões. Dessa vez, os irmãos ficaram juntos. O objetivo de todas as equipes era localizar os galpões que abrigavam grupos, pois a listagem oficial do grupo Fênix ia demorar um mês pra ser entregue, passando por um longo processo burocrático.
Eles iriam descobrir isso se passando por vendedores de doces. No primeiro galpão, Murilo apareceu com uns doces e um homem o atendeu. "Desculpe, mas você quer um doce?" Deu pra notar de fora que havia muita gente no galpão. O homem bateu a porta na cara dele. Então, ficou registrado que ali funcionava um grupo.
Em outro galpão, Sérgio perguntou a mesma coisa. Mas, ao contrário do outro, o convidou pra entrar e tomar um café. Lá dentro, apenas havia carneiros e muita palha. Então, ficou sabido de que aquele galpão não abrigava grupo nenhum.
Ao escurecer, voltaram todas as quatro equipes com a localização exata dos galpões. O chefe ficou tão satisfeito que deu cinco cartões dourados a cada um do grupo.
A segunda missão
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| O chefe não gostou nada do rendimento do grupo de Murilo |
Hoje, os irmãos tiraram cores diferentes, e foram pra duas equipes distintas. A missão de uma equipe era capturar a amante de um diretor de uma entidade rival, no intuito de pôr fim ao casamento dos dois. A de outra equipe era assassinar um homem que tinha uma chave de acesso a outro galpão suspeito de abrigar pistoleiros. E os dois irmãos partiram.
A equipe de Sérgio, do qual César estava incluso, chegou às oito da manhã num motel em que estavam o homem e a amante. Então, silenciosamente, entraram no quarto deles. Aplicando um tranquilizante na moça, conseguiram a tirar de lá sem fazer barulho. Depois, colocaram ela em frente à casa do senhor, aonda estava a mulher dele. "O que é isso?", perguntou ela. "É a amante do seu marido". Dito isso, a jogaram no chão e partiram em disparada. No mesmo dia, o casamento foi por água abaixo.
A equipe de Murilo, do qual Nelson estava presente, conseguiu seguir, da casa onde o indivíduo morava, até um restaurante onde ele ia almoçar com a família. Ao chegar lá, ficaram do lado de fora, apenas esperando um momento oportuno pra agir. Quando viram o homem indo pra fora pra fumar, perceberam que a hora tinha chegado. Um deles deu uma gravata no sujeito enquanto outro revistou os bolsos. Conseguiram achar o cartão e depois fugiram.
"Imbecis!". A palavra ecoou por cada parte do galpão. "Vocês são uns imbecis!", tornou o velho a dizer. "Agora, os pistoleiros já devem ter mudado de abrigo. Se vocês tivessem assassinado o homem, ainda dava tempo da gente agir hoje à tarde. Mas agora ele já deve ter contatado todos de lá". A equipe de Murilo mostrou-se triste, enquanto a de Sérgio se encontrava muito feliz. O resultado foi a tomada do cartão dourado de uma equipe e o ganho de outro.
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| O farto jantar do grupo |
E todos foram dormir com uma mensagem a mais desse senhor. A bronca se transformou em ensinamento, e como era bom ter adquirido aquilo. Já estavam apreensivos sobre o dia de amanhã. Qual missão os seria designada? Será que vai ser difícil? Será que vão conseguir completá-la? E, com essas dúvidas na cabeça, todos dormiram na esperança de um dia melhor.
A primeira missão
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| Capturar a mulher não foi fácil |
Ao chegarem na zona norte, foi fácil a localizar. O segundo popular abordado já apontou a casa dela. Então, a equipe foi até lá e um deles bateu na porta, ficando os outros escondidos. Um minuto depois, ouviu-se um tiro. Quando foram ver, o homem estava no chão e a mulher estava fugindo de cavalo junto com o marido. Eles então pegaram o rapaz ferido e colocaram na garupa do cavalo de Nelson e foram atrás do casal.
A fuga demorou duas horas, até que conseguiram pegar o marido. O resto da equipe foi atrás da mulher, enquanto que o outro foi levar o marido pro galpão. Ao chegarem lá, os diretores amarraram o tal homem num pilar e pediram pra que mesmo a parte da equipe que veio trazendo ele fossem atrás da mulher. A busca durou mais quatro horas, até que a primeira equipe conseguiu atirar no cavalo da mulher e ele caiu no chão. Ao chegarem no galpão, amarraram a mulher no mesmo pilar do marido.
Depois, foram de encontro ao chefe pra receberem um cartão dourado, que deviam guardar. "Pra que isso serve?", perguntou Sérgio. "pra que você possa subir de patamar dentro do grupo", disse Nelson. "Com mil cartões dourados, ou seja, mil missões completas, vocês podem virar chefes de grupo, ou seja, liderar as missões do grupo. com dois mil, você vira diretor. Com cinco mil, você vira chefe e, com a quase impossível marca de dez mil, pode virar diretor júnior da Fênix"
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| O tal cartão dourado |
"Em contrapartida", disse um membro do grupo, "quando você perde uma missão tem que devolver o cartão dourado. Se não tiver, recebe um preto. Dez pretos fazem você ficar sem atuar por dois dias. 100 pretos te fazem virar limpador de chão do galpão por um mês e, com 1000 pretos, você é morto pelos membros do grupo. Mas fique tranquilo, porque ninguém alcançou essa marca".
Pela tarde, todos fizeram um lanche numa mesa grande, onde há pouco tinham almoçado. Durante o lanche, uma explosão foi ouvida na parte sul do galpão. Quando foram averiguar, haviam quatro invasores. Atingindo os quatro com tranquilizantes, os puseram num porão pra posterior interrogatório. À noite, jantaram uma sopa muito saborosa e depois foram aos seus aposentos.
O grupo
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| O corneteiro José, que acorda o grupo todos os dias |
"Vocês estão vendo aquela caixinha no meio do galpão?", perguntou ele, "É lá que vocês vão pegar o cartão diário de vocês". Então, os dois foram de encontro à caixinha e enfiaram a mão lá no fundo. Ao retirarem seus cartões, perceberam que os dois ficaram com a cor laranja. "Opa, isso é bom", disse César, "quer dizer que hoje vocês são da mesma equipe". Sérgio perguntou, "mas como é isso, qual o sentido disso?"
Nelson então chegou e disse: "vou explicar tudo a vocês. Esse é um grupo secreto formado há duzentos anos aqui no Brasil. Os selecionados a participar são estudados por meses e até anos pelos nossos olheiros, e somente 1% dos previamente selecionados realmente chegam ao grupo. Aqui, funciona assim: há um grande chefe de todos nós, que já deve estar chegando. Ele, de madrugada, junto com seus diretores, prepara essa urna com cartões de quatro cores: azul, verde, amarelo e vermelho. Eles indicam qual grupo vocês irão pertencer na missão do dia".
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| Fênix: a ave que renasce das cinzas |
Sérgio então perguntou a Nelson o que era Fênix. Ele então respondeu: "Fênix é um conglomerado internacional de grupos afins que se comunicam entre si". "Há cem desses conglomerados, e cada um comporta, em média, duzentos grupos". Então, chegou a hora deles. "Equipe laranja", disse o velho, "vão buscar esse mulher pra ser interrogada por nós". Ele mostrou a foto dela e entregou uma cópia pra cada um. "Ela mora na cidade pra lá do rio, é muito fácil de encontrála, principalmente com as instruções atrás das fotos. Boa sorte".
O Conto do velho Cosme (parte 3)
| A vila |
O velho ficou pensativo por uns instantes, e depois ordenou que os dois filhos fossem de encontro à dupla que o bilhete citava, sem dar muitos detalhes sobre a história. Disse que procurassem o delegado, que este saberia da localização da vila.
Os dois irmãos partiram, sem entender muito bem, pra vila. Ao chegarem lá, procuraram César, mas esse não se encontrava. Depois, foram atrás de Alessandra, que estava em casa fazendo um bolo. Ao dizerem que eram filhos de Cosme, ela pediu pra que entrassem. Quando estavam sentados no sofá, ela pegou o filho pequeno e pôs no colo de um deles. "Olhem como ele é lindo", disse ela.
Ao terminar de fazer o bolo, ela os perguntou: "quais são seus nomes?". "Sérgio e Murilo", disse um deles. "Hmm, que nomes bonitos. O pai de vocês tem muito bom gosto". Depois de conversarem um pouco, ela perguntou qual era o motivo da visita. "É que o nosso pai está nas últimas, e o Murilo recebeu esses cinco bilhetes de um homem encapuzado, direcionados a ele". Alessandra então pegou os bilhetes e depois os amassou. "Por que fez isso?", indagou Sérgio. "Porque esse cidadão só pode estar querendo nos enlouquecer", disse ela.
Depois de ter contado toda a história, Alessandra disse que era melhor eles irem embora, pois ali eles podiam atrair algum perigo pra ela, que agora tinha um filho e muita responsabilidade. Eles aceitaram ir, e foram pegando o rumo à cidade. Ao chegarem lá, Cosme havia falecido. O laudo médico apontou falência múltipla dos órgãos, mas os doutores acharam algo esquisito no estômago dele. Era uma espécie de tinta preta, que havia impregnado boa parte do órgão. Eles perguntaram aos filhos o que poderia ser aquilo, mas nenhum deles soube responder.
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| O que será a tinta preta no estômago de Cosme? |
Então, passado o trauma, eles foram pegar os cavalos no celeiro e partiram rumo à terra natal. Quando estavam no início da viagem, o homem encapuzado apareceu mais uma vez. "Seu desgraçado, o que quer de nós agora?", perguntou Sérgio. "Quero dizer que vocês estão dentro do clube". "Como?", indagou Murilo, "que tipo de clube você se refere"? "Um clube diferente de tudo que vocês conhecem", disse o homem.
O encapuzado então pediu carona num dos cavalos dos irmãos e deu a direção da sede do clube a eles. Ao chegarem lá, encontraram um grande galpão, e pela janela dava pra ver a presença de algumas pessoas no seu interior. Ao entrarem, o tal homem tirou o capuz, e deu pra ver que era um indivíduo com seus cinquenta e poucos anos. Os irmãos então perguntaram quem eram aquelas pessoas, e o que faziam ali. Todos ficaram em silêncio, até que um rapaz veio em direção a eles. Era César, que havia sido recrutado um dia antes. Ele disse que ia ser o guia deles no clube.
César chamou eles pra um canto da parede e começou dizendo que a primeira coisa que eles deveriam saber era que o grupo era secreto. Depois, que eles deveriam ter muito cuidado com os integrantes dele. Uma piada, por exemplo, não caberia naquele ambiente. Era uma questão de trabalho. "Vocês também devem saber que ninguém pode sair do grupo", disse um dos membros que ouvia na cochia, "se quiserem sair, considerem-se mortos".
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| A cama beliche dos irmãos |
Parecia um quarto muito agradável, de frente pro mar, e com uma cama beliche. "A única coisa ruim aqui é uma goteira, mas o balde já está ali posicionado", disse César. Ao se deitarem, Nelson chegou e desligou as luzes, desejando boa noite aos dois.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
O conto do velho Cosme (parte 2)
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| O cavalo de Cosme |
Saindo em disparada, nem deu oportunidade de verem a cara do sujeito. Alessandra pegou a pedra enquanto César massageava a área atingida. No manuscrito, dizia: "Se quiserem saber o paradeiro do cavalo, assim como o do negro larápio, apareçam na rua Paulo Félix, esquina com João Matoso, às 18:00 do atual dia".
Ao saberem disso, foram correndo avisar o velho Cosme. Ele estava cortando a grama do jardim quando a dupla chegou, e foram logo anunciando a novidade. De início, ele ficou um pouco desconfiado da conversa deles, e disse: "como pode isso ter acontecido? Então outro homem sabia da nossa história?". De qualquer forma, ele resolveu acreditar neles e aceitou ir à tal esquina no horário estipulado.
Ao chegar lá, não havia ninguém. Os três ficaram em pé até 18:30 e o velho, já impaciente, disse: "é muito bom pra cara de vocês inventarem uma história dessas. Desapareçam da minha cidade e voltem praquela vila maldita". Quando ia saindo, César retrucou: "mas, senhor, eu juro que nós não armamos nada. Um homem realmente nos abordou e jogou esse bilhete numa pedra". Cosme foi até ele, pegou o billhete e mordeu, cuspindo depois, num sinal de raiva.
| Quem será o homem encapuzado? |
E se passou um ano. Alessandra agora estava casada e não mais andava muito com César. Ele havia terminado um namoro duradouro, e parecia não querer outro relacionamento por um bom tempo. E Cosme estava adoentado, recebendo visitas de seus familiares, incluindo dois de seus vários filhos e a sua segunda mulher. Foi aí que o homem encapuzado reapareceu no jardim do velho, pra surpresa de seu filho, que estava na varanda. Ele arremessou cinco pedras, o que fez o homem correr pra dentro da casa. Depois, quando viu que ele não estava mais ali, saiu pra conferir se não havia mais ninguém. Ao observar as pedras, viu que cada uma tinha um bilhete acoplado, o que o fez as levar imediatamente ao seu pai.
O conto do velho Cosme (parte 1)
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| O velho Cosme |
Um de seus hábitos era fazer grandes passeios montado num cavalo. Ele descia todo o rio que passava pela fazenda, e depois ia até a fronteira do estado. Cada dia ele explorava lugares novos, e sempre estendia a sua viagem por um quilômetro a mais semanalmente. Até que chegou o dia em que ele se perdeu. Caía uma chuva gigantesca e ele estava bem longe da fazenda. Então, Cosme pensou: "vou dormir aqui por um tempo, até que a chuva passe". Amarrando o seu cavalo numa árvore, sentou-se no caule dela, tentando dormir. O sono enfim chegou e ele apagou.
Quando acordou, já era de manhã, e o seu cavalo já não estava mais lá. Ele então berrou: "quem foi o maldito que roubou meu cavalo?". Depois de um longo silêncio, o velho começou a caminhar pelas redondezas. Andou tanto que atingiu uma vila, que, à primeira vista, parecia bem arrumada. Ele foi logo falar com um cidadão, a fim de saber a sua localização. O homem a quem abordara não era tão receptivo, e disse não saber responder o que ele perguntava: "eu nunca saí dessa vila", disse o senhor.
Então, Cosme andou até o centro da cidade, onde encontrou um rapaz que aparentava ter seus 25 anos, e que notou a cara de aflição dele. O moço perguntou:
- O que houve, senhor? Você está com a cara tão abatida.
Então, o velho disse:
- Nada, meu filho, eu apenas quero voltar pra casa. Eu me perdi e vim parar aqui.
O rapaz se apresentou como César, e disse que iria ver o que podia fazer. De repente, apareceram mais duas pessoas, um casal de amigos. A mulher, de nome Alessandra, tinha a pele morena e era dona de muita beleza. O homem, de nome Guido, era alto e magro. Eles chegaram perto do amigo e perguntaram quem era o indivíduo. César respondeu:
- É um senhor que está perdido. Vamos tentar ajudá-lo?
Ambos concordaram, e foram até o celeiro buscar seus cavalos. Quando lá chegaram, Cosme reconheceu o seu cavalo:
- É aquele, branco! O meu fiel companheiro!.
Então, ao se aproximar do bicho, viu um negro se levantar com uma pistola. Ele indagou:
- Foi você o desgraçado que roubou meu cavalo?
- Depende de qual for. - o negro respondeu
- Não se faça de bobo, é claro que é esse aqui.
- Desgraçado e bobo, você dirigiu esses insultos a mim. Mas o bobo é você, que dormiu na chuva sem medo de ter o cavalo roubado.
- Então foi você mesmo. - retrucou o velho.
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| O negro que roubou o cavalo do senhor |
- Não façam isso, a violência é a pior forma de se resolver algo. Façam um trato entre si.
Os dois, depois de pensarem um pouco, concordaram e foram conversar num local afastado, enquanto o trio ficou esperando no celeiro. Depois, ambos foram de encontro a eles, e o velho disse: "chegamos a um acordo. Nós vamos juntos até a minha cidade pra eu comprar um cavalo caro pra esse infeliz. Aí ele devolve o meu xodó".
Passado isso, os cinco subiram em seus cavalos e foram até a cidade de Cosme. Durante o trajeto, perceberam o andar dos cavalos e aquele frescor do pós-chuva. Estavam conversando quando, de repente foram abordados por um ladrão.
- Há três dias que eu não como nem um pedaço de pão - disse o homem.
- Pois nós estamos sem um tostão - retrucou o velho - você vai é se dar mal assaltando desse jeito.
- Não fale assim, porque eu estou armado.
- Nós também, quer nos confrontar? - disse o negro.
Então, o ladrão foi se afastando e conseguiu disparar três tiros contra eles, antes de o negro conseguir acertá-lo. Todos riram por um instante do ladrão. Só que, ao olharem para Guido, perceberam que ele estava muito ferido. Então decidiram seguir viagem o mais rápido possível, levando o amigo no cavalo de Cosme.
Ao chegarem na cidade, foram logo ao centro. Quando já avistava a sua casa, num beco escuro, o negro aproveitou o pouco movimento da rua pra fazer todos de reféns. Ele os amarrou a um poste, pegou a arma de Cosme e todos os cavalos, e partiu de volta à vila. O velho então falou: "que homem ordinário. Não quis nem cumprir o trato". Então, ficaram amarrados por cinco horas até que um senhor passou e os desamarrou. O cidadão era um delegado e, percebendo que um deles estava bastante ferido, começou a perguntar o que tinha acontecido.
Depois de ter sabido da história, o delegado prometeu a captura do tal negro e, para isso, acionou toda a guarda local para partir rumo à vila. O grupo então foi ao hospital, para deixarem o Guido, e depois para a casa de Cosme. Ao entrarem, elogiaram a casa, dizendo que era muito bem decorada. O velho então mostrou os quartos em que iriam dormir e deu boa noite a todos.
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